quinta-feira, novembro 17, 2005

Sugestão 04

Não ponho datas nos poemas
Não quero fechá-los num dia
Num local específico
Numa certa ocasião.
Guardo-os com a mesma lógica com que os escrevi:
Nenhuma.
Nenhum poema é passado
Porque presente
Nenhum poema é futuro
Porque o sinto já dentro
E se não é já presente
É por pura preguiça e falta de tempo
Escrito num hoje sem amanhãs.
Não saberia sequer datar os poemas.
Escreverei do passado no futuro
Escreverei do futuro no presente.
Ficam portanto assim:
Poemas sem tempo.
E o ultimo que escrever será como o primeiro
Palavras sem data
Arrumadas sem lógica
Futuro passado
Presente amanhã.
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A peosia de Encandescente, um livro que poderá ser adquirido aqui ou, em alternativa, nas livrarias a partir do final de Novembro. Parabéns Encandescente.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Social 11

Há dias em que me apetece dizer imensas coisas. Nesses dias, quando vejo uma imagem que me agrada, aparecem de repente histórias que ganham vida na minha cabeça. Hoje, não consigo dizer nada doce. Todas as histórias que me assaltam a mente são inquietações sobre o país e o mundo onde vivo, sobre o futuro que se desenha para as crianças: Riscos traçados por canetas douradas e platinadas feitos em cima de gordos joelhos cobertos por tecidos finos que não conseguem esconder uma enorme desumanidade e o mais profundo egoismo.
Que temos nós a perder? o pequeno conforto que nos imbeciliza e acobarda? os filhos que nós tão bem protegemos e atiramos passivamente para o caos que se avizinha?
Alguém disse que a esperança é a última a morrer mas parece que é a raiva, a raiva daqueles que nada têm e que por isso nada perdem. Os acontecimentos em França são o exemplo disso.
Em França, o poder servil às canetas douradas e platinadas traçou como resposta linhas de repressão e força bruta. Mais ainda, imagine-se.

domingo, novembro 13, 2005

Intimidades 09


É impressionante a importância que as pequenas coisas podem ter no pulsar da vida. As palavras, os olhares e os toques que se trocam num segundo podem determinar uma mudança radical e o despoletar de um estado nascente. A vida é cheia de subtilezas, de pequenos grandes acasos. É isso que me encanta e que me apaixona.
Ai, sempre.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Ambiências 20


"As estações assemelham-se todas: pouco importa que as luzes não consigam iluminar para além do seu halo esfumado; seja como for, este é um ambiente que tu conheces de cor, com o cheiro a comboio que fica mesmo depois de todos os comboios terem partido, o cheiro especial das estações depois de ter partido o último comboio. As luzes da estação e as frases que estás a ler parecem ter a tarefa mais de dissolver do que indicar as coisas que afloram de um véu de escuridão e de névoa. Eu desembarquei esta noite nesta estação pela primeira vez na minha vida e já me parece ter passado aqui uma vida (...)"

excerto do livro Se Numa Noite de Inverno Um Viajante de Italo Calvino

domingo, novembro 06, 2005

Ambiências 19

A propósito de viagens, chegou à blogosfera mais um blog de fotografias, com cheiros africanos e olhares intensos. Aqui fica a referência: Massai on the road.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Sugestão 03

"Uma rectrospectiva - Dois fotógrafos". Exposição de trabalhos de Alfredo Cunha e de António Pedro Ferreira. Até dia 17 de Novembro, pode ser vista na Galeria 9arte, em Lisboa. Mostram-se momentos do 25 de Abril de 1974, passando pela Roménia e Iraque. A não perder.

terça-feira, novembro 01, 2005

Ambiências 18

Nas fotografias da Olga Gouveia, há sempre linhas que nos fazem deslizar o olhar.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Séries 03

Antes fazer-se de cego do que enxergar uma vida ao rés do solo.
O horizonte há-de ser sempre o contraponto do centro da terra. E esse vê-se em qualquer escuro.
Sob o sofá nunca estão as pantufas mas a horizontalidade final. Por isso nos sentamos na busca da verticalidade possível.
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O corpo da mulher estendeu-se em busca do ruído que não a tinha deixado dormir nas noites anteriores.
Ouviu-se um silêncio e ficou aquietadíssima à espera do re-ruído. De tanto esperar, mortadormeceu. Veio outra mulher e ocupou-lhe o espaço. Colocou um sofá no meio do quarto. Fuma, todos os dias, antes de sair para o trabalho.
Nunca se preocupou com o mistério dos bichos carpinteiros.

sexta-feira, outubro 07, 2005

segunda-feira, outubro 03, 2005

Sugestão 01

Aqui fica uma sugestão: uma visita ao Centro Cultural de Belém, ao Espaço Quandrante, para apreciarem a exposição de fotografias " Povos de África". A exposição estará aberta ao público até ao dia 22 de Outubro.
  • Todas as fotografias expostas têm a permissão dos respectivos autores.
  • Exceptuam-se apenas as fotos da Secção Biografias.
  • O Blografias agradece a todos os autores que participam neste espaço de divulgação de fotografia
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