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segunda-feira, dezembro 11, 2006

Modos de Vida 16

Há dias em que tenho a sensação de ser bipolar. Chego às aulas, olho para os meus alunos e parece que me liguei à terra. Todos os problemas que teria, ficaram à porta. Sim, sou um dos professores privilegiados que apesar de denegrido e maltratado por este poder executivo ainda tem prazer em dar aulas. Tenho prazer quando sinto que de alguma forma posso marcar alguns daqueles seres que crescem cada dia que passa, rindo e aprendendo juntos. No entanto, quando penso no que os espera, um mundo de competitividade desenfreada e hipocritamente nivelada por baixo, saio da aula, fecho a porta e bem vindo ao mundo real!
Enquanto a Ásia for um mercado aberto aos grandes negócios e ao grande capital, teremos que “competir” com toda a espécie de atropelos aos direitos humanos.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Ambiências 22

André era um homem tipicamente cosmopolita. Não passava sem a dose diária da adrenalina urbana da sua cidade: o cheiro a tinta de jornal fresco, o cheiro do gasóleo acumulado no interior do seu carro das intermináveis filas de transito que teimosamente insistia em andar, o cheiro das iscas requentadas, o cheiro indistinto de óleo alimentar queimado, o cheiro a tabaco pestilento depois de uma noite com Dj's. Dava-se conta que também não podia passar sem todo o ruido branco que o rodeava: os telemóveis a tocar insistentemente, as buzinas dos carros, os rádios, a televisão, os gritos, as pessoas, muitas pessoas e música.
Um dia disseram-lhe que tinha que parar, o seu coração não aguentaria mais aqueles tratos diários misturados com álcool e outros químicos que o enganavam. Parou. Foi viajar para paragens distantes, onde o tempo corre devagar e onde o prazer se encontra nos olhares, nos aromas e nos silêncios.
Consta que não regressou. Não se sabe bem se ficou por lá pelos campos budistas se pelas casas de ópio e do prazer. Pouco importa, na cidade ninguém deu pela sua falta.
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