quinta-feira, março 08, 2012

Social 32

Foto de Adriano Miranda



Partilho aqui mais uma reflaxão do Mia Couto, muito cáustica sobre os tempos que correm, sobre o não conflito de gerações. Uma reflexão bem caracterísitaca do Mia Couto.


'Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e tambémestão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com queo país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade quequeimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todosnós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. 

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?'


Acho que o Mia Couto estava bem zangado quando escreveu este texto.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Sugestão 13

Foto de Solange dos Santos

Foto de Solange dos Santos


O Blografias surgiu como um espaço de divulgação de fotografia e fotógrafos portugueses. Esse foi o mote e esse sempre foi o lema deste espaço. Porém, em finais de 2005 abriu-se a primeira excepção, com a divulgação de trabalhos de um fotógrafo angolano, José Silva Pinto. 
Pela segunda vez na história do blografias, abre-se uma nova excepção, desta vez para uma fotógrafa moçambicana, Solange dos Santos. 
A Solange, presenteou Moçambique, e Maputo em particular, com uma magnífica exposição fotográfica e com o lançamento de um livro, chamado Filhos da Lua.

Filhos da Lua, é um trabalho que incide sobre um problema social gravíssimo em África: o albinismo. Mas mais do que dissertar sobre o horror que muitos albinos africanos estão sujeitos, o que me encantou foi a sensibilidade do trabalho realizado pela Solange e pelo Dominique, com um olhar terno mas não lamechas, intenso, alegre e ao mesmo tempo dramático, reservando sempre uma dignidade profunda aos albinos.

Para quem puder deslocar-se a Maputo, visite a exposição que está aberta ao público na Fortaleza. Obrigatório.

domingo, fevereiro 26, 2012

Retratos 37

Maputo, Moçambique, 2011



Vendedor num mercado moçambicano. Uma espécie de centro comercial de barracas onde se vende tudo. Esta era a área da restauração.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Social 31

Ilha da Boavista, Cabo Verde, 2006




Há interrogações partilhadas por muita gente e que são contradições insanáveis.
A fome é o caminho para a saúde?
A pobreza é o caminho para a confiança dos mercados?
A austeridade selvagem numa recessão é o caminho para a revitalização da economia?
O estrangulamento social é o caminho para a paz?

Alguém me dizia que só a ponta da lança a tocar na pele é que dói, depois do incómodo inicial, ela trespassa o corpo quase de forma indolor.
Felizmente nunca experimentei tal sensação de trespassamento, mas o sentido de violação e a revolta interior é tal, que  indignação que já conquistou a flor da pele facilmente sai na forma de revolta e tumultos.
Como alguém também dizia, não há nada mais perigoso do que um homem que não tem nada a perder.

sábado, janeiro 28, 2012

Retratos 36

Mombassa, Quénia, 2011





O mundo está cheio de atos revoltantes e cheio de hipocrisias. A história que hoje aqui  publico é revoltante, e um dos principais protagonistas foi aclamado publica e hipocritamente como sendo merecedor de um reconhecimento público do seu trabalho... na área da saúde, imagine-se.

O protagonista de tão distinto e público prémio, é um jornalista moçambicano.

O prémio que recebeu há apenas dois meses está noticiado aqui.

O artigo jornalístico que publicou há duas semanas está publicado aqui.

Algumas reações públicas de organizações cívicas estão publicadas aqui, no jornal para onde o jornalista escreve. Sublinhe-se que este jornal, o Notícias, é o jornal com maior tiragem em Moçambique. 


Digo eu,  depois de ter tido conhecimento da violação de uma mulher por 17 homens.

O respeito pelas diferenças culturais é nobre e respeitável. O mundo tem a ganhar se incorporar as diferenças culturais e as subliminar no que de melhor têm. Mas os hábitos culturais só se respeitam até ao limite da violação dos direitos humanos, ultrapassado esse limite, não se respeitam, não se compreendem. Julgam-se, condenam-se e punem-se!

Depois de tudo o que li e - felizmente, ainda há esperança - se escreveu em Moçambique sobre este episódio, deixo algumas interrogações publicadas e partilhadas por mim, sobre este caso.

"Como é possível que um caso de violação sexual de uma mulher moçambicana em Pemba por 17 homens, passa pelas mãos da autoridade policial local e aparentemente nada aconteceu?
Como é possível que um crime desta natureza possa ser “reclassificado” como uma mera ocorrência pelas entidades envolvidas, 17 autores e um mandatário mandados para casa, invocando a desculpa esfarrapada de que envolve religião e tradições, e como tal se justificava?
Como é possível em 2012, que qualquer pessoa, que qualquer entidade,  qualquer tradição, qualquer religião, consiga justificar o crime deliberado da violação em massa de uma mulher, como fazendo parte legítima e constituindo “castigo justificável” , seja em que circunstância for?
Como é possível que a direção e os editores do Notícias de Maputo, deixem passar a limpo nas suas páginas como mera afirmação de uma opinião num sábado, a monstruosidade que é dita quase inexplicavelmente pelo seu cronista de Pemba, que desvaloriza um crime hediondo e efectivamente relega mais do que metade de toda a população de Moçambique para o estatuto de carne para canhão, sujeitas a “tradições” e “religiões” que incluem a violação sexual em massa de uma mulher?
Como é possível que, em Moçambique, em 2012, em que, pesem todas as dificuldades e constrangimentos, existem entidades e mecanismos com poderes formais e informais como os Srs. Presidente da República, primeiro-ministro, ministro do Interior, ministro da Justiça, Procuradoria, as polícias, etc – e este chocante episódio passe em claro sem que acção decisiva, conclusiva e eloquente seja encetada, dizendo aos criminosos e ao mundo que, em Moçambique, a Lei aplica-se e que, em Moçambique, as mulheres são respeitadas e são para serem respeitadas, que, em Moçambique, estes crimes não são tolerados, e que quem os cometer em Moçambique vai pagar um preço muito caro por eles?"

Nota de rodapé: O estado e o governo moçambicano (não é a mesma coisa?) vangloriam-se de ser um dos países africanos com a maior taxa de mulheres em funções governativas. O meu pensamento seguinte e corolário deste facto, não o partilho...

sábado, janeiro 14, 2012

Retratos 35

Serengeti, Tanzania, 2011



Tive a oportunidade de poder visitar um território que ainda se encontra preservado no seu estado natural e com pouquíssima intervenção humana. De facto, o Serengueti e a Cratera de Ngorongoro, na Tanzania, é considerado um dos territórios do mundo onde a paisagem, o relevo, a fauna e a flora não sofreram alterações por acção do homem e se tem mantido inalterada desde há milénios.

As poucas alterações havidas tem sido no setor do turismo, fundamental para a geração de receitas necessárias à conservação. Mas mesmo as alterações turísticas resumem-se a umas picadas abertas para a realização de safaris, umas pequenas pistas de terra batida a servirem de pistas de aviação e uns lodges, poucos, muitíssimo bem integrados e com um impacto mínimo no ambiente.

A área desta reserva natural é de 12.500 quilómetros quadrados, um sétimo do território continental português, onde os poucos habitantes que se atrevem a viver neste território são os homens e as mulheres do povo Maasai.

O povo Maasai é um povo de pastores, cuja especialidade é transumar com o gado, vacas, cabras e ovelhas, naqueles vastíssimos planaltos em harmoniosa convivência com toda a vida selvagem que os circunda. É um povo orgulhoso das suas tradições nómadas e do seu espírito destemido perfeitamente adaptado ao território. Tão bem adaptado que a sua longevidade faz inveja a muitos ocidentais.

A capacidade da adaptação humana ao ambiente é surpreendente, e é com admiração que me explicam que os Maasai conseguem extrair da natureza tudo o que eles precisam para sobreviverem, desde alimentos, água e medicamentos que extraem das plantas autóctones. 

Mas o seu orgulho como povo é também bem visível na forma como se apresentam. Altos, magros, altivos, vestidos de forma colorida e harmoniosa e com o corpo ricamente ornamentado com peças artesanais que contrastam elegantemente com a cor da pele.

Um povo que para sobreviver se manteve fiel às suas tradições e que se fechou em si mesmo, n\ao se cruzando com nenhuma outra tribo do país, a não ser para trocas comerciais. Um povo que me encantou.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Retratos 34

Foto de Luís Duarte




O ser humano sempre teve uma carateristica que, diria, vem desde o berço de Eva. É baseada no principio do menor esforço. Este principio é uma espécie de pau de dois bicos, se por um lado revela inteligência, por outro lado revela uma enorme ingenuidade, para ser simpático no termo.
Vejamos, poderá ser uma atitude inteligente se o Homem arranjar por sua criação métodos que lhe facilitem a vida. A roda é um exemplo paradigmático desta Inteligência. Todavia, este mesmo Homem que revelou sinais de inteligência invulgar, é o mesmo que se deixa cair no caminho do menor esforço baseado na promessa fácil: dá-me um milagre e eu serei teu devoto.

Há pouco tempo, uma empresa norte americana prometia um milagre a troco de muito pouco para cada individuo, mas uma enorme fortuna para eles: o milagre do equilíbrio das energias no nosso corpo, seja lá o que isso for, a troco de uns dólares, dizendo que com aquelas pulseirinhas milagrosas conseguiríamos o melhor de nós próprios porque tínhamos os fluxos energéticos do nosso corpo equilibrados.

E assim, sem mais, prometiam uma espécie de el dorado interior. O negócio cresceu, floresceu, franchisou-se por todo o mundo e a empresa associou-se a causas nobres para ter um ar totalmente filantropo ao olhos da opinião publica. Eles viviam mesmo para o nosso bem estar, arranjavam-nos umas pulseirinhas milagrosas, tratavam de todos os nossos achaques e ainda tratavam das criancinhas com cancro através de donativos altruístas pagos com o dinheiro de quem acredita na promessa fácil.

Mais tarde, em Dezembro do ano passado a empresa Power Balance fez um comunicado refente à pulseira, admitindo que “as nossas alegações sobre o artigo não têm base científica e que por isso incorremos numa conduta enganosa”. Arriscam a falência com o pedido de indemnizações dos outrora crentes e agora inquisidores.

Não sei o que me faz mais incómodo, se um bando de vendedores de banha da cobra, se um bando de gente acéfala e acrítica que come tudo o que lhes dizem.

Há, no entanto, sinais que me descansam relativamente a toda esta crendice, são os sinais quânticos que nos chegam de toda a parte e que nos equilibram com o universo.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Ambiências 58

Bucareste, Roménia, Agosto de 2011


A Roménia é um país com uma matriz cultural muito parecida com a matriz portuguesa. As coisas óbvias (pela raiz latina da língua, Romania, terra de Roma) são as palavras, iguais na escrita, mas pronunciadas com uma pronúncia ligeiramente diferente, o suficiente para pensarmos que é outra língua que não a nossa.
Mas as semelhanças não se resumem as estas diferenças, São profundamente culturais e passam pela música popular, pela forma de cantar (houve uma altura em que pensei que ouvia fado), pelos trajes populares, pela gastronomia (os torresmos fritos são entradas nos melhores restaurantes que preservam a tradição gastronómica romena), a cordialidade, a hospitalidade e, inclusive, a boémia.
Apesar destas proximidades culturais, curiosas se pensarmos que a Roménia está, relativamente a nós, nos antípodas da Europa, divergimos nas tradições religiosas. Neste capítulo estão mais próximas das culturas eslavas do que das culturas tradicionalmente latinas. Esta diferença é fundamental na forma como a moral social foi construída. A liberdade sexual quer para o homem quer para a mulher é natural naquela sociedade.       
Hiperbolizando, não há homem que não tenha vários filhos de várias mulheres e não há mulher que não tenha tido vários filhos de vários homens. Isto parece uma afirmação de La Palisse, mas a verdade é que não há estigmas sociais para os homens e as mulheres do seu passado mais ou menos promíscuo.
Outro fator curioso é que, embora nada tenham a ver com as culturas mediterrânicas, são mais negras, passe o trocadilho dos mares, são muito parecidas connosco nos valores tradicionais da família, no respeito pelos mais velhos e na preservação das tradições.
Uma das tradições é a religiosa, ortodoxa como já tinha referido. A intensidade religiosa com que a maioria dos romenos vive é mais pesada do que a dos portugueses. Excluindo o cliché de Fátima, os romenos têm uma carga cultural religiosa mais intensa e mais arreigada do que os portugueses. Regra geral, não há romeno (independentemente da faixa etária ou classe social) que passe em frente a uma igreja e não se benza, repetidamente, e com fervor.
         A foto que aqui partilho é uma foto tirada num convento, no centro de Bucareste, o equivalente ao Convento de Carmo no centro de Lisboa, mas onde as ordens religiosas e as suas tradições ainda imperam.
É um país que vale a pena conhecer.

terça-feira, setembro 27, 2011

Ambiências 57

Delta do Danúbio, Roménia, Agosto de 2011



Tive a oportunidade de visitar a Roménia nas férias de Verão do hemisfério norte. Fiquei agradavelmente surpreendido porque imaginava a Roménia como um país terceiromundista, com manifestações de subdesenvolvimento ao nivel da organização urbana, dos serviços prestados, da oferta cultural, da mentalidade das pessoas em geral.
A surpresa veio de vários lados, e destacaria o ambiente urbano das principais cidades romenas, que respiram vitalidade, organização e reabilitação urbana.
A contrastar, este momento tirado no Delta do Danúbio, no norte da Roménia, pertíssimo da Ucrânia, numa zona onde parecia que o tempo havia parado. As aldeias do Delta ficam isoladas pelo gelo e neve durante todo o inverno e as semelhanças com as aldeias isoladas de Portugal profundo são imensas. Aliás, relativamente às semelhanças que a Roménia tem com Portugal será um tema que em breve falarei aqui neste espaço. Para já aqui fica um registo de outros tempos de hoje.

segunda-feira, agosto 29, 2011

Ambiências 56

Bucareste, Roménia, Agosto de 2011


Fiquei impressionado com a Roménia, e Bucareste em particular. Encontrei uma cidade completamente ocidental onde se integravam os sinais e as marcas da modernidade do século XXI com a esplendida arquitectura do século XIX e XX. Lembrei-me várias vezes da baixa de Paris, pela riqueza arquitetónica, pelas avenidas arejadas, largas e verdejantes.
Em Bucareste respirava-se tranquilidade, com a cidade cheia de jardins e de espaços de lazer, que os romenos aproveitavam num clima de harmonia e paz. Concluí que a Roménia evoluíu imenso nestes últimos anos e está muito distante dos tempos negros de Ceausescu e das suas insanidades faraónicas, como é exemplo este palácio, o seu palácio, que é o maior edifício da Europa e o segundo maior do mundo, só ultrapassado pelo edifício do Pentágono.

domingo, julho 10, 2011

Retratos 33


Faz tempo que não venho aqui limpar o pó deste sítio. Desculpem, mas a vida em África nem sempre dá para o que nós queremos. Como alguém dizia, "another fucking day in fucking paradise"

domingo, abril 17, 2011

Social 30

Foto de Paulo Nozolino

Os dias que correm em Portugal e na Europa são de tal modo preocupantes que para não deprimirmos definitivamente, temos que nos socorrer dos pensamentos de autores que nos  desafiam a continuar. Deixo-vos um poema do Mia Couto, escrito em 2004, mas que não podia ser mais actual.

A versão original é esta:

Demoliram o país de Ahmed.
Erro de construção, justificaram.
Os pilares acentavam numa fé errada.

Debaixo do tecto
se abrigavam famílias,
velhos, meninas, mulheres.

Todos tinham o mesmo nome,
o nome daqueles que não têm nome.

O país ruiu,
ante bombas e tanques,
prova de que não estava bem dimensionado.Os pombos escaparam,
os pobres não.
Que culpa têm os demolidores
de haver tanta gente viva?

Dos que sobraram
não se escutam lamentos.
Os moradores choram numa língua errada.

Entre os escombros,
um braço de menina
ousa a culpa: de que valia ser criança
se não dava uso à infância?

Erro de cálculo na engenharia,
falta de sustentabilidade ambiental,
inviabilidade financeira:
o auditor da comunidade internacional,
encerrou o file no laptop,
e suspirou, aliviado: felizmente,
a maior parte dos países
nunca chegou a existir 
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