terça-feira, setembro 27, 2011

Ambiências 57

Delta do Danúbio, Roménia, Agosto de 2011



Tive a oportunidade de visitar a Roménia nas férias de Verão do hemisfério norte. Fiquei agradavelmente surpreendido porque imaginava a Roménia como um país terceiromundista, com manifestações de subdesenvolvimento ao nivel da organização urbana, dos serviços prestados, da oferta cultural, da mentalidade das pessoas em geral.
A surpresa veio de vários lados, e destacaria o ambiente urbano das principais cidades romenas, que respiram vitalidade, organização e reabilitação urbana.
A contrastar, este momento tirado no Delta do Danúbio, no norte da Roménia, pertíssimo da Ucrânia, numa zona onde parecia que o tempo havia parado. As aldeias do Delta ficam isoladas pelo gelo e neve durante todo o inverno e as semelhanças com as aldeias isoladas de Portugal profundo são imensas. Aliás, relativamente às semelhanças que a Roménia tem com Portugal será um tema que em breve falarei aqui neste espaço. Para já aqui fica um registo de outros tempos de hoje.

segunda-feira, agosto 29, 2011

Ambiências 56

Bucareste, Roménia, Agosto de 2011


Fiquei impressionado com a Roménia, e Bucareste em particular. Encontrei uma cidade completamente ocidental onde se integravam os sinais e as marcas da modernidade do século XXI com a esplendida arquitectura do século XIX e XX. Lembrei-me várias vezes da baixa de Paris, pela riqueza arquitetónica, pelas avenidas arejadas, largas e verdejantes.
Em Bucareste respirava-se tranquilidade, com a cidade cheia de jardins e de espaços de lazer, que os romenos aproveitavam num clima de harmonia e paz. Concluí que a Roménia evoluíu imenso nestes últimos anos e está muito distante dos tempos negros de Ceausescu e das suas insanidades faraónicas, como é exemplo este palácio, o seu palácio, que é o maior edifício da Europa e o segundo maior do mundo, só ultrapassado pelo edifício do Pentágono.

domingo, julho 10, 2011

Retratos 33


Faz tempo que não venho aqui limpar o pó deste sítio. Desculpem, mas a vida em África nem sempre dá para o que nós queremos. Como alguém dizia, "another fucking day in fucking paradise"

domingo, abril 17, 2011

Social 30

Foto de Paulo Nozolino

Os dias que correm em Portugal e na Europa são de tal modo preocupantes que para não deprimirmos definitivamente, temos que nos socorrer dos pensamentos de autores que nos  desafiam a continuar. Deixo-vos um poema do Mia Couto, escrito em 2004, mas que não podia ser mais actual.

A versão original é esta:

Demoliram o país de Ahmed.
Erro de construção, justificaram.
Os pilares acentavam numa fé errada.

Debaixo do tecto
se abrigavam famílias,
velhos, meninas, mulheres.

Todos tinham o mesmo nome,
o nome daqueles que não têm nome.

O país ruiu,
ante bombas e tanques,
prova de que não estava bem dimensionado.Os pombos escaparam,
os pobres não.
Que culpa têm os demolidores
de haver tanta gente viva?

Dos que sobraram
não se escutam lamentos.
Os moradores choram numa língua errada.

Entre os escombros,
um braço de menina
ousa a culpa: de que valia ser criança
se não dava uso à infância?

Erro de cálculo na engenharia,
falta de sustentabilidade ambiental,
inviabilidade financeira:
o auditor da comunidade internacional,
encerrou o file no laptop,
e suspirou, aliviado: felizmente,
a maior parte dos países
nunca chegou a existir 

terça-feira, março 22, 2011

Social 29



Esta foto representa uma tradição, no meu ponto de vista absurda, denominada por mim tratamento de choque. Explico:
A cena passa-se numa pequena localidade no litoral norte de Portugal, chamada S. Bartolomeu do Mar. Esta cena faz parte de uma tradição anual chamada o "banho santo". Sintetitcamente pretende ser uma terapia de choque e que visa tirar os "demónios" das pessoas, em particular das crianças. Vi esta cena repetidamente com crianças. Confesso a minha admiração com gente que parece ser adulta. Basicamente, a tradição consiste em exorcizar os demónios das crianças mergulhando-as violentamente nas águas frias e revoltosas da região de forma a prepará-las para o futuro. A terapia é particularmente aconselhada para casos de gaguez, timidez ou outras "ezes" consideradas fraquezas da personalidade. O efeito, na minha opinião, é que se os "tais demónios" foram eventualmente exorcizados, outros se instalarão permanentemente e serão factores desestruturantes dos individuos sujeitos a tais tratamentos.
Esta terapia, noutro plano, lembra-me a terapia que a classe política ocidental, sublinho ocidental, está a impor aos seus povos para exorcizarem os deficites criados por um capitalismo desenfreado que está a conduzir todo o tecido social ocidental à beira da ruptura.
Pergunto-me, com a preocupação de quem tem descendentes, quais serão as consequências sociais futuras destas terapias.


terça-feira, março 08, 2011

Social 28



As últimas semanas mostraram ao mundo que o poder não é perpétuo e que pode cair por vontade popular. Estas revoluções de rua, convocadas na net, mostram que o mundo está em transformação nas formas de mobilização e de organização da contestação.
Não duvido que no futuro surgam teses de doutoramento sobre o impacto das redes sociais na definição da política de uma nação ou outros títulos afins.
Todavia, será com toda a certeza interessante confrontar a eficácia da organização espontânea e popular contra os regimes autoritários ou ditatoriais versus a eficácia dos mesmas em regimes democráticos, onde o "inimigo" é aparentemente invisível e difuso.
De qualquer forma, e independentemente do rosto do "inimigo" ao bem estar dos povos, estas últimas semanas evidenciam que as revoluções de rua são, não só possiveis, como eficazes.
Outra questão, mais séria, que se coloca imediatamente a seguir a uma revolução é saber quem se perfila no poder vindouro: O poder sombra, sempre poderoso, que nunca deu a cara e que aproveita e manipula as jogadas genuinas dos peões para dar xeque, ou o poder espontâneo e genuíno dos povos?
A História mostrou-nos que o caminho faz-se caminhando, a matemática e a física também nos mostraram que todos os caminhos vão, ao fim de algum tempo, dar ao mesmo lugar. Seja como for, o futuro constrói-se, o futuro passa por todos nós, aqui e agora.

domingo, fevereiro 20, 2011

Social 27

Foto de Alberto Monteiro



Dia 12 de Março há uma manifestação dos “precários” em algumas das principais cidades portuguesas. Esta manifestação, concentração, encontro, seja lá o que for, foi iniciada no facebook. Este tema levanta-me dois comentários: O primeiro sobre o impacto do facebook na vida quotidiana das pessoas (com o exemplo do Egipto), o segundo, mais importante, sobre a capacidade de mobilização das pessoas para reivindicarem direitos legítimos e consagrados na carta dos direitos universais, como o direito ao trabalho e o direito à família.

Comecemos pelo primeiro, o impacto do facebook na vida quotidiana das pessoas:
À primeira análise, o facebook seria mais uma rede social, aparentemente inócua onde cada um vai dizendo e partilhando com mais ou menos seriedade o que vai acontecendo na sua vida: os seus gostos musicais, noticiosos, fotografias de ocasião, enfim, uma panóplia de ferramentas onde se permite partilhar o que se quiser, desde o mais fútil e banal, ao mais sério e fundamental. Neste momento não tenho dúvidas que o facebook é uma ferramenta extremamente poderosa e cheia de potencialidades. Mas, o facto de admitir que esta rede social tem enormes potencialidades não significa que ela seja efectivamente poderosa, sobretudo num país como Portugal.
Esta afirmação provocatória remete-me para a segunda questão enunciada acima, sobre a capacidade de mobilização das pessoas, via facebook, ou outra via qualquer. Não considero o povo português um povo verdadeiramente reivindicativo. Mais, considero o povo português um povo passivo, que acha que o futuro está condenado ao que for sem que para isso mexa uma palha que não seja a língua para dizer mal. É um povo que provavelmente tem razões históricas para ser assim, passivo, porque sempre delegou aos outros a decisão do seu futuro e cedo percebeu que as organizações adulteram o seu pensamento genuinamente libertador. Vejam-se os resultados das últimas eleições presidenciais, a crescente desmotivação pelos movimentos políticos organizados, que, aos seus olhos se organizam em seu próprio benefício. Vejam-se as grandes convulsões sociais que existiram e que foram sempre “a posteriori” ratificadas pelo povo mas que nunca foi o povo que as verdadeiramente despoletou.
Porque vivo agora num país onde os direitos humanos são uma miragem, porque sou cada vez mais sensível ao drama da precariedade e do mundo que a humanidade está a construir nesta premissa, vejamos o que irá acontecer no dia 12 de Março, se uma manifestação de intenções imberbe ou uma tomada de posição mais séria e um aviso à navegação. Os mais esclarecidos poderão pensar que não há nada a fazer, Berlusconi mantém-se legitimamente no poder há anos. Um símbolo da decadência e liberalização selvática de todos os valores da sociedade ocidental.
Neste momento não tenho dúvidas, o poder que cada um de nós tem, por mais ínfimo que pensemos que seja, é infinitamente maior do que possamos imaginar, se aplicado em larga escala. Só temos que o aplicar mesmo em larga escala e não ficarmos confinados à nossa pequena realidade individual. Os problemas são comuns, transnacionais. Mobilizemo-nos e façamos como alguém há muito tempo declarou: “Ajo como se o meu acto fizesse a diferença”.
Será concerteza um parto com dor, mas não tenhamos medo da dor! Como biologicamente se diz e é consensual, a dor é a defesa do nosso corpo a fenómenos estranhos. Façamos da dor o caminho para uma sociedade menos egoísta e mais solidária, via facebook ou por outra via qualquer. O que é inconsequente é o silêncio e frustração armazenados em cada um de nós.
Caminhemos pedra sobre pedra, passo a passo, rumo à mudança.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Retratos 32

Fotografia de Graça Loureiro

Foto de Graça Loureiro

Hoje faço um brinde a uma pessoa que  passou fugazmente pela minha vida, mas que a marcou profundamente. Mary, uma italo-indiana atrevida. Um beijo para ti, cupido.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Eduardo Gageiro - Retrato com história

António de Oliveira Salazar - 1962
O espólio fotográfico do Eduardo Gageiro é notável, e há fotografias que ele fez que me deixam mudo perante a riqueza de conteúdo que contêm. Esta é uma foto dessas, reveladora de uma perspicácia invulgar. Dizia o Nozolino, outro grande fotógrafo cujo trabalho admiro, que o olhar é como um lápis, com a idade vai-se afiando. É certo que em 1962 Gageiro era ainda um jovem fotojornalista, mas o seu olhar sempre foi especial e foi essa capacidade que o tornou num excelente fotojornalista e captador de imagens.

Nesta foto, vê-se um homem  orgulhosamente só,  contemplando o oceano, provavelmente pensando no seu delirante sonho colonialista e que conduziu Portugal a uma guerra absurda e, na época, sem sentido e fortemente condenada do ponto de vista internacional. Um homem só, um poder só, com uma máquina musculada por detrás que reprimia quem se lhe opusesse.

Que personagem e que cenário escolheria Gageiro nos dias de hoje para retratar o poder em Portugal? Duvido que fosse Cavaco Silva na sua casa do Algarve. Duvido também que fosse José Sócrates a sair da Universidade com o seu diploma, ou a sair de um palácio no Qatar com um cheque na mão. Provavelmente escolheria não um, mas um monte de personagens, os das grandes empresas de consultoria, sem rosto, que legislam a seu belo prazer, que misturam sabiamente a política e o capital, porque afinal, o verdadeiro poder hoje não tem rosto.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Eduardo Gageiro - Retratos com história

Eduardo Gageiro é um nome incontornável na fotografia portuguesa. Partilho convosco alguns retratos tirados nas últimas quatro décadas do século passado a personalidades importantes da arte, cultura e política portuguesa.

Raúl Solnado - actor - 1966
 Maria João Pires - pianista - 2000
José Régio - escritor - 1968
Jorge de Sena - escritor - 1970

General Spínola - 1974

José Cardos Pires - escritor - 1984
 
Carlos Paredes - músico - 1988
Amália Rodrigues - fadista - 1971
Sophia de Mello Breyner - escritora - 1964
Eunice Munoz - actriz - 1966
Jóias da fotografia portuguesa.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Retratos 32

Foto de Dina Fraga


Era uma vez um país rico, tão rico que acabou de aprovar uma legislação sobre o regime de aposentação da segurança social que faz corar os países ricos ocidentais. Vejam-se sumariamente quatro das condições de reforma aprovadas recentemente:
1 - Tem direito à reforma por incapacidade para o trabalho qualquer cidadão que tenha descontado pelo menos15 anos para a segurança social.
2 - Tem direito à reforma qualquer cidadão que tenha trabalhado 35 anos de serviço efectivo.
3 - O valor da reforma corresponde a 100% do último salário.
4 - Em caso de morte do reformado 75% do valor da reforma é distribuida pelos herdeiros (mulher e filhos maiores) em partes iguais [curiosamente este artigo não tem limite temporal]

Depois de ter visto estas o diploma legal pensei, caramba, este país nada em dinheiro!
No final concluí que afinal, o país é dos mais pobres do mundo, e que metade do orçamento do estado é financiado por ajuda externa. Como justificarão os países doadores aos seus contribuintes que financiam neste país condições que há muito revogaram e alteraram?

quarta-feira, dezembro 01, 2010






Sim, eu sei que este blog foi criado para divulgar fotografia portuguesa e, claro, a preto e branco. Mas o mundo anda com uma lógica tão absurda que importa quebrar as regras e as tradições. Afinal, o que temos a perder em romper com o que nos querem estabelecer?
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