segunda-feira, janeiro 17, 2011

Retratos 32

Foto de Dina Fraga


Era uma vez um país rico, tão rico que acabou de aprovar uma legislação sobre o regime de aposentação da segurança social que faz corar os países ricos ocidentais. Vejam-se sumariamente quatro das condições de reforma aprovadas recentemente:
1 - Tem direito à reforma por incapacidade para o trabalho qualquer cidadão que tenha descontado pelo menos15 anos para a segurança social.
2 - Tem direito à reforma qualquer cidadão que tenha trabalhado 35 anos de serviço efectivo.
3 - O valor da reforma corresponde a 100% do último salário.
4 - Em caso de morte do reformado 75% do valor da reforma é distribuida pelos herdeiros (mulher e filhos maiores) em partes iguais [curiosamente este artigo não tem limite temporal]

Depois de ter visto estas o diploma legal pensei, caramba, este país nada em dinheiro!
No final concluí que afinal, o país é dos mais pobres do mundo, e que metade do orçamento do estado é financiado por ajuda externa. Como justificarão os países doadores aos seus contribuintes que financiam neste país condições que há muito revogaram e alteraram?

quarta-feira, dezembro 01, 2010






Sim, eu sei que este blog foi criado para divulgar fotografia portuguesa e, claro, a preto e branco. Mas o mundo anda com uma lógica tão absurda que importa quebrar as regras e as tradições. Afinal, o que temos a perder em romper com o que nos querem estabelecer?

quarta-feira, novembro 24, 2010

Social 26

Fotografia de Paulo Nozolino

Foto de Paulo Nozolino


Um pouco por toda a Europa existe uma vaga de protesto da população que está cansada e desesperada com a situação de crise generalizada que se vive no mundo e nos seus países em particular. Portugal não foge à regra e hoje foi dia de protesto, de contestação, de greve geral.
Há quem diga que isto é orquestração dos malditos sindicatos, há quem diga que é seguidismo dos que não querem trabalhar, há quem diga e desdiga uma série infindável e sempre questionável de argumentos.
O que parece inquestionável é o descalabro da economia capitalista. E há muitos reputados intelectuais sérios e honestos por esse mundo fora, de reputadíssimas universidades, que o afirmam há muito tempo.
Como tributo a esta insatisfação geral que se vive, deixo aqui mais uma crónica sagaz e corrosiva, escrita há menos de um mês por Mia Couto, que a escreveu a pensar especialmente em Moçambique, mas que não se esgota nem em Moçambique, nem em Portugal. Sobre os homens-sombra.

"Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.
O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Sim plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.
A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior.
Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniên cia. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideolo gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”. Há quem lhe chame de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma na ção muito gaseificada.
Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer. Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enqua dra-se no combate contra a pobreza.
Mas a corrupção, em Moçambique, tem uma dificuldade: o corrup tor não sabe exactamente a quem subornar. Devia haver um manual, com organograma orientador. Ou como se diz em workshopês: os guidelines. Para evitar que o suborno seja improdutivo. Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opi nião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém.
O May be man entendeu mal a máxima cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois, vendeu-a ao portu guês, ao indiano. E está agora a vender ao chinês, que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem.
O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa parábola mais recen te: o não deixar. Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito corrup to: em nome da lei, assalta o cidadão.
Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele e sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cau tela, os do chefe do chefe.
O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigen te: esse é o principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem no meá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir.
Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma for tuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio.
O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de- conta. Para um país a sério não serve."

sábado, novembro 13, 2010

Ambiências 55

 Foto de Francisco Máximo


Já tive a sorte de poder visitar alguns lugares da Terra. Confesso que me falta quase tudo para ver, mas das experiências de viagens que colectei ao longo da vida, houve uma que me surpreendeu muito mais do que esperava. A Namíbia.

A Namíbia é um país que do ponto de vista paisagístico é único. Tem paisagens surreais onde o deserto e os terrenos áridos se conjugam com cores e neblina dando formas e ambientes que não parecem deste mundo. Mas para além da fantástica beleza do país, há a destacar também a organização e as infra-estruturas.

É um país imenso, com uma rede de estradas asfaltadas e de terra batida que faz inveja a todos os países africanos. Rede de distribuição de energia eléctrica por todo o país. As cidades limpas, sem confusão de tráfico, com variadíssimos pontos de recolha de lixo diferenciado para reciclagem.

A polícia e todas as autoridades tratam as pessoas com amabilidade, pedagogia e respeito. Nas lojas, a organização é o lema, o bom tratamento ao cliente é o mote.
Nos lugares turísticos, reservas naturais, hotéis e lodges o requinte impera. O serviço é de altíssima qualidade. Nas ruas, respira-se tranquilidade e segurança.


Foto de Francisco Máximo


Do ponto de vista da organização política, as várias etnias que compõem o país são vistas e reconhecidas como tribos com direito ao reconhecimento da língua própria nas escolas e o respeito pela cultura, religião e tradições. O mais curioso é que as ex-etnias colonizadoras, a alemã e a sul-africana bóer, são reconhecidas politicamente como tribos e tratadas em pé de igualdade às demais tribos autóctones.
É um país africano que não parece africano, dados os elevados padrões de organização e qualidade que apresenta.

Foto de Francisco Máximo

Em contraste, na viagem de regresso a Moçambique, depois de várias horas de atraso no aeroporto à espera do avião das Linhas Aéreas Moçambicanas, sem qualquer explicação ou satisfação da companhia, chegamos ao aeroporto de Maputo, fora de horas, cansados de tantas tempo de espera. Chegámos ao balcão da migração para apresentação dos passaportes e, não há ninguém. Com muita calma lá começam a chegar funcionários. Dispõem-se em dois balcões, sem haver separação para residentes, turistas ou diplomatas. Depois de mais um tempo infinito de espera para ter o carimbo de entrada no país, um funcionário pede para revistar as malas.

Digo-lhe, de uma forma irritada, que depois de mais de meio-dia de atraso, e aquela hora tardia, aquele procedimento poderia ser evitado. Começo a abrir a mala visivelmente mal-disposto. O funcionário olha para mim e diz-me: “dá lá refresco e podes passar”.

A primeira autoridade pública deste país revela-se imediatamente: isto é um país de extorsão e abuso. Claro que não paguei nada e fui-me embora, furioso.

Moçambique, um país rico do ponto de vista dos recursos naturais, com esta cultura do estou a pedir refresco, leia-se corrupção e extorsão, não vai longe e nunca poderá competir com países organizados como a Namíbia e nunca estará nos roteiros turísticos do mundo. A corrupção e a ineficiência dos serviços para instituir a corrupção são uns dos vários cancros deste país.

quinta-feira, novembro 04, 2010

20-10-2010


Depois da declaração, da festa, do brinde, das canções e da brincadeira, partiu-se à descoberta de uma nova fase da vida com um novo mundo como cenário. A Namíbia.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Social 25




As outras nações de Moçambique? (texto de Mia Couto)

1 - Os pneus ardendo nas estradas de Maputo e Matola não obrigaram apenas a parar o trânsito daquelas cidades. Paradoxalmente, esse bloqueio à normalidade abriu acesso a outras estradas que pareciam bloqueadas em todo o país. Os motins obrigaram a repensarmo-nos como país, como entidade que não pode ser dirigida por um pensamento único. As manifestações tornaram visível um outro Moçambique que parecia esquecido e longe dessa “pátria amada” tornada em chavão oficial. No auge da crise, a Frelimo retomou o seu velho método de contacto directo com as bases. Brigadas “saíram” para os bairros e regressaram alarmadas. O sentimento que encontraram nas bases estava distante dos relatórios oficiais que, à força de serem repetidos, pareciam ser a verdade única e total.


Afinal, a zanga não era apenas a dos que saíram à rua. Os distúrbios eram a expressão desordenada de uma insatisfação bem mais generalizada e profunda. Não era obra dos “inimigos”. Se calhar, era obra dos que parecem militar nas próprias fileiras. Dos que assumem que fazer política é levar e trazer relatórios falseados para agradar aos chefes. A insatisfação dos mais pobres não tinha apenas a ver com preços de produtos. Essa revolta não era, afinal, apenas dos que vivem na pobreza absoluta. Outras pobrezas fizeram fumo no primeiro de Setembro.


A dimensão desse sentimento popular foi vital para ditar o volte-face do Governo. Medidas que 48 horas antes haviam sido tidas como “irreversíveis” pelo porta-voz do Conselho de Ministros foram, afinal, revogadas. De forma pouco habitual, o poder vinha dizer que uma parte do problema estava também dentro da própria governação. Esta aceitação da necessidade de uma nova ética na relação com os outros é talvez mais importante que as anunciadas medidas económicas. Ao assumir publicamente que devem dar o exemplo no apertar do cinto, os dirigentes da Frelimo tornam-se mais próximos dessa vanguarda moral que, antes nos ensinou que o “responsável político é o primeiro no sacrifício e o último nos privilégios”.


Os eventos de Setembro podem indiciar que a Frelimo pretende reaproximar da própria Frelimo. Chama-se o que se quiser ao volte face que o Conselho de Ministros. Eu acho que essa mudança foi corajosa, vital e indiciadora de outras mudanças. Essa mudança pode salvar todas as nações da nação moçambicana. E pode salvar a própria Frelimo como força condutora dos destinos de uma pátria que é a única que, nós, moçambicanos temos.

2- Este acordar para uma realidade não tocou apenas os dirigentes de partidos. No dia dos tumultos, muitos cidadãos de Maputo foram sacudidos pela surpresa. Morando em bairros ricos, esses cidadãos há muito que confundiam a nação com a reduzida geografia da cidade por onde circulam. O lugar dos pobres era, para eles, um cenário longínquo, uma fachada apenas visível da janela das viaturas com que, apressadamente, atravessam as chamadas “periferias”. Aos poucos, a nação destes compatriotas se resumiu ao circuito das grandes avenidas e dos quarteirões privilegiados do cimento. É fácil amar uma pátria assim: mais ou menos limpa, mais ou menos servida, mais ou menos cosmopolita. Para os cidadãos “deste” Moçambique, os motins surgiram como uma espécie de invasão. Os desordeiros estavam avançando sobre a sua “nação”. Xilunguíne estava sendo ameaçada pelos bárbaros suburbanos.


De repente, os habitantes da nação cimentada acordaram para a existência de uma outra nação maior. De súbito, lembraram-se que havia uma outra cidade fora da cidade, que havia uma pobreza que não morava apenas nos “distritos”.

O fumo dos pneus teve o efeito inverso do que se poderia prever: clareou céus e rasgou horizontes. Os pobres deixaram de ser apenas assunto dos workshops. Os pobres saltaram dos seminários em luxuosos hotéis para a realidade do dia-a-dia. Os pobres podem fazer parar o país dos outros. Mesmo que para isso acabem ficando mais pobres. Para quem tem pouco “amanhã” esse esbanjar de futuro valia a pena.
Neste sentido, no dia primeiro de Setembro Moçambique deu uma cambalhota. Dito de outro modo, a percepção que um certo Moçambique tem de si mesmo foi colocada de pernas para o ar. A periferia virou o centro. A pobreza falou por si mesma, com seus recursos pobres, com a sua esperança empobrecida. As cicatrizes dos pneus em chamas não sobreviverá nas estradas da capital.
Espero que as lições desse transbordar sobrevivam dentro de nós como um alerta que algo precisa mudar nas duas nações.


segunda-feira, setembro 27, 2010

Pele 31



Há luz sem lume aceso
Mas sem amar o calor
À flor de um fogo preso
À luz do meu claro amor



Há madressilvas aos pés
E águas lavam o rosto
Dedos que tens em respeito
Oh, meu amante deposto


Não foram poemas nem rosas
Que colheste no meu colo
Foram cardos, foram prosas
Arrancadas do meu solo


Porque tu ainda me queres
O amor que ainda fazemos
Dá-me um sinal se puderes
Sejamos amantes supremos


Será sempre a subir
Ao cimo de ti
Só para te sentir


Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim...

Lembro-me perfeitamente da edição desde disco no início dos anos oitenta, com música do Ricardo Camacho dos Sétima Legião, letra de Miguel Esteves Cardoso e a interpretação da, na altura, jovem Manuela Moura Guedes. Pode ser escutado aqui

quinta-feira, setembro 23, 2010

Sugestão 12




Um pouco de cor no Blografias é uma excepção mas não fica mal, sobretudo se vem de um sítio como este, recheado de gente irrequieta e irreverente onde a fotografia reflete o nome do espaço: alternativa.

terça-feira, setembro 21, 2010

Intimidades 21

Foto de Nanã Sousa Dias


Falta exactamente um mês para concretizar um pequeno sonho: pisar as dunas do deserto da Namíbia. Arranjei a companhia certa e lá, celebraremos o passado e o futuro.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Social 24



A recente crise que Maputo viveu teve origem no enorme descontentamento da população. Os elevados níveis de pobreza aliados ao disparo dos preços de bens essenciais despoletaram a revolta. A revolta foi apelidada pelos responsáveis políticos como vandalismo e as manifestações consideradas ilegais.

Importa esclarecer que as manifestações seriam sempre ilegais porque não foram convocadas por nenhuma associação legalmente constituída, mas sim por um movimento espontâneo e popular que surgiu em mensagens sms.

Importa ainda esclarecer que cerca de 90% da população é formalmente desempregada e vive de biscates e que cerca de 45% da população é menor.

Importa também esclarecer que a violência vivida naqueles dias resultou em grande parte da forte e brutal repressão policial que cumpria ordens. De facto, dias depois houve testemunhos de polícias que confessaram que eles também queriam estar no outro lado da barricada porque eles também passam mal, apenas cumpriam ordens superiores.

É necessário ainda referir que o salário mínimo ao câmbio actual é de cerca de 50 euros. Um polícia em início de carreira tem este salário e um polícia com 10 anos de serviço ganha menos de 100 euros.

Os factores que contribuiram para esta revolta foi o aumento desmesurado do custo de vida. No último ano, o metical desvalorizou face ao euro, ao dólar e ao rand ( moeda fundamental em Moçambique já que a maioria das importações vêm da África do Sul e Moçambique importa quase tudos os alimentos ) cerca de 40%. Este facto aliado ao aumento dos preços a nível internacional tornou a situação incomportável para a maioria da população.

O governo, depois de dias de silêncio e repressão ( os serviços de mensagens dos telemóveis foram bloqueados durante 3 dias pelas operadoras ) veio depois anunciar que subsidiaria o preço dos combustíveis, da energia, água, arroz e do pão. Estas medidas acalmaram a população mas, imagino que são a prazo insustentáveis para um país tão pobre como Moçambique cujo Orçamento de Estado é subsidiado por doadores internacionais em cerca de 50%. Assim, prevejo que o futuro será instável e novos protestos se farão ouvir e sentir. Quando a miséria é extrema e a fome aperta, a linha de separação entre o protesto e a violência é demasiado ténue. É a revolta dos que cairam em desgraça.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Social 23

Sofala, Moçambique, Abril de 2008

Esta fotografia, tirada bem no interior de Moçambique, resultou de um trabalho de cobertura de uma muito célebre multimilionária americana, filha do talvez mais famoso magnata americano, que ali se deslocou para observar o trabalho comunitário que se estava a realizar e, eventualmente, contribuir com uns trocos no projecto.
Os contrastes entre a civilização visitante, que descia dos céus com um barulho ensurdecedor, e a civilização visitada, afundada no chão daquela aldeia, eram de tal forma notórios que eram, no mínimo, chocantes. Não admira que este povo não consiga calar a injustiça que sente.

domingo, maio 23, 2010

Retratos 31

Foto de Francisco Máximo

We will act as if what we do will make a difference. There is nothing you and I won't do.
  • Todas as fotografias expostas têm a permissão dos respectivos autores.
  • Exceptuam-se apenas as fotos da Secção Biografias.
  • O Blografias agradece a todos os autores que participam neste espaço de divulgação de fotografia
  • Optimizado para o IE 7.0 com resoluções de 1280 por 768 ou superiores

    Espaço criado e gerido por Francisco Máximo

    Blografias com luz - 2005-2012