terça-feira, dezembro 15, 2009

Ambiências 53




Depois de meses de interregno volto a este espaço antes do final deste ano para deixar umas imagens da zona de Mpumalanga, África do Sul. Uma zona montanhosa com canyons fantásticos e cascatas majestosas.



Curioso lá, tão longe, haverem as cascatas de Lisboa que fazem jus ao nome que têm.









É impressionante o tempo, essa coisa etérea que escorre inexoravelmente para a frente não dando hipótese de o controlar. Enredamo-nos nesta teia do tempo, com dificuldades para o gerir e para encontrar naquela corrente um tempinho para parar. Mas antes tarde do que nunca, e cá estou outra vez para anunciar que este espaço, parou, mas não morreu!






Aqui, neste lugar, sentimo-nos pequenos, esmagados pela imensidão e grandiosidade das montanhas. À beira do abismo, quase dominando o ar e os céus, sente-se poder. Sente-se que se a Natureza consegue oferecer todo esta maravilha também a nossa capacidade de criar e de conceber não tem limite.


É um misto de sensações, de respeito e pequenez e ao mesmo tempo de poder e de acreditar que tudo é possivel, se quisermos!


Mpumalanga, God's Window, África do Sul, Novembro de 2009

Foto de Francisco Máximo

Com esta fotografia de um lugar mágico, chamado God's Window, brindemos ao novo ano, à vontade, à determinação, ao desejo, aos novos desafios, às novas vidas!

quarta-feira, agosto 05, 2009

Ambiências 52

Mercado Mandela, Maputo, Moçambique, Julho de 2009

Uma destas semanas fui visitar um mercado informal de Maputo, de seu nome, Mandela. Um daqueles mercados e ambientes onde não é nada usual a presença de mulungos ( brancos ). A atmosfera era inicialmente desconfiada, mas rapidamente se desvaneceram as distancias culturais e houve uma interacção desinteressada e franca.


Mercado Mandela, Maputo, Moçambique, Julho de 2009

Em conversa com as mulheres tive uma grande lição de economia comunitária. A forma como gerem o seu negócio, como se entreajudam e como aplicam as suas poupanças.



Mercado Mandela, Maputo, Moçambique, Julho de 2009



Surpreendeu-me encontrar um grande mercado que parecia um centro comercial de restaurantes, em que a presença de uma mesa era o bastante para o anunciar. A mistura do cheiro da comida, a simpatia das pessoas, as condições precárias das "cozinhas", a luz que se misturava com o fumo do carvão criavam uma atmosfera que convidava a ficar e a tomar uma cerveja.


Os preços eram simbólicos e acessíveis às magras bolsas moçambicanas. O tempo corria devagar e harmónico naquele lugar afastado de intrigas políticas e onde cada um conta pelo que faz e não pelo que tem.
Entretanto, na cidade e no país político discutia-se com indignação o nome escolhido pelo presidente da república para baptizar a ponte que une o norte ao sul de Moçambique, a ponte do rio zambeze, de seu nome, o do próprio presidente. Que original!

quarta-feira, junho 24, 2009

Intimidades 20


Em Moçambique costuma-se dizer que quem bebe a água do Rovuma, um rio do norte de Moçambique, nunca mais quer de lá sair. Do país, não do rio. Estou de volta à Europa para umas breves férias mas a verdade é que sinto já saudades daquele continente.
Estou tramado, vai ser um desassossego quando um dia tiver que regressar de vez. Terei?... talvez um dia...

sexta-feira, junho 19, 2009

Pele 30

Atravessando o canal de Maputo para Inhaca, Moçambique, Setembro de 2008
As estrelas serão as nossas testemunhas. De preferência as que iluminam esses lugares de silêncio sagrado que fazem descobrir a essencia do ser, os desertos.

terça-feira, junho 16, 2009

Séries 34

Foto de Alberto Monteiro


Nos últimos tempos fui a dois casamentos. Dizia alguém que não recordo já quem seria, que no casamento é cada vez mais necessário o sexto sentido. Sobretudo depois do quinto divórcio.

Nunca chegarei a essa fase fatigante. Como também alguém já dizia, errar é humano, perseverar no erro é diabolico.
Paz!

quarta-feira, junho 10, 2009

Ambiências 51

Quissanga, Cabo Delgado, Moçambique, Outubro de 2008


Naquele dia ela chorava. Corria-lhe na face uma lágrima fluente que ziguezaguiava nas curvas do seu rosto.

Aquela lágrima não era em vão, era um gota que iria banhar o rio das plenas emoções que cada dia se desenhavam e afirmavam no horizonte. Sim, a vida estava a mudar e para melhor!


Já dizia o Pessoa, “quando a alma se agiganta a tristeza também canta.”

quinta-feira, maio 21, 2009

Séries 33


Corria-lhe no sangue uma vontade louca de amar. Era um desejo profundo do seu corpo. Mas não queria amar por amar, queria amar aquela mulher por quem um dia se tinha apaixonado e por quem tinha dado não só o seu corpo mas também a outra parte imaterial do seu ser.

A mulher por quem se apaixonou, com o tempo, foi-se desmaterializando, perdendo a sombra até deixar de se ver. Esfumou-se no tempo que o enrugou. Ele, continuava à espera todos os dias já com uma esperança murchada e seca.

Os vizinhos viam naquele homem um ser que não tinha sido e que se deixara perder no seu caminho descaminhado e não percebiam porque insistia todos os dias em olhar para o mar. Ele respondia dizendo que a mulher se tinha desmaterializado porque tinha virado sereia e, porque ele não sabia nadar, esperava por ela na margem, onde um dia, naquela rocha, a havia beijado.

Consta que ele também se esfumou e virou lapa. Naquela rocha niguém mais se voltou a sentar nem a beijar.

quarta-feira, maio 13, 2009

Pele 29

Foto de Alberto Monteiro




And you may find yourself living in a shotgun shack
And you may find yourself in another part of the world
And you may find yourself behind the wheel of a large automobile
And you may find yourself in a beautiful house,
with a beautiful Wife
And you may ask yourself

-well...how did I get here?

Letting the days go by
let the water hold me down
Letting the days go by
water flowing underground
Into the blue again
after the moneys gone
Once in a lifetime/water flowing underground.

And you may ask yourself
How do I work this?
And you may ask yourself
Where is that large automobile?
And you may tell yourself
This is not my beautiful house!
And you may tell yourself
This is not my beautiful wife!
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Water dissolving...and water removing
There is water at the bottom of the ocean
Carry the water at the bottom of the ocean
Remove the water at the bottom of the ocean!

Same as it ever was...
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Same as it ever was...


quinta-feira, abril 23, 2009

Séries 32

Foto de Paula


O que é a realidade? Dizem alguns cientistas que é o que nos queremos ver. Um jogo de espelhos?

Bom, as divagações à volta de umas garrafas de cerveja, mijam-se, arrotam-se e passam. No entretanto, na sala ao escura ao lado os objectos dançam a seu belo prazer.

quarta-feira, abril 08, 2009

Ambiências 50


Cape Town, Africa do Sul, Abril, 2009


Já tinha ouvido bastantes descrições de Cape Town. Todas elas foram insuficientes perante a estranha beleza daquela cidade e arredores. Nem parece África. É uma mistura de modernismo arquitectónico, praias e glamour, montanhas e quintas vinícolas.


Cape Town, Africa do Sul, Abril, 2009
Foto de Francisco Máximo

A cidade parece um grande centro financeiro onde nada está ao acaso. Restaurantes, bares, diversão nocturna, clubes, museus e muita arte e cultura. Fora da cidade, as grandes avenidas marginais serpenteiam a costa com casas luxuosas que se espalham pelos declives até ao mar.

Cape Town, Africa do Sul, Abril, 2009

Foto de Francisco Máximo



Cape Town, Africa do Sul, Abril, 2009

Pelo meio percebe-se que o apartheid deixou marcas profundas na população negra e que ainda hoje os bairros segregados dos trabalhadores sao guetos no meio do luxo e da sumptuosidade de toda aquela região. É estranhamente bela...

quarta-feira, março 25, 2009

Séries 31

Foto de Bruno Espadana


Partilho convosco mais uma deliciosa crónica de Mia Couto.

A Crónica de Mia Couto
"Quer dizer, a grande vantagem de estarmos no Poder é que, para sermos empresários, não precisamos de empreender nada. A bem dizer, nem precisamos de empresas."


- Meu querido marido, escutou o noticiário?
- Não. Há novidades importantes?
- Diz o noticiário que você deixou de ser ministro.
- Afinal, eu ainda era ministro?
- Disseram que era. Não sabia?
- Tinha uma vaga ideia. Mas acho que se enganaram, também estes jornalistas divulgam cada coisa, sabe como é: jornalismo preguiçoso...
- Mas aquilo era um comunicado oficial. E disseram claramente o seu nome. Eu não fazia ideia. Pensei que era só empresário.
- Ai é? Saí no noticiário? Mostraram a minha foto?
- Não. Mas, diga-me lá, marido, você era Ministro de quê?
- Ministro dos Assuntos Gerais. Uma coisa assim... Já agora, você reparou se disseram quem era o novo ministro?
- É um dos anteriores vice-ministros.
- Afinal havia mais que um?
- Havia sete vice-ministros.
- Sete? Eh pá, aquilo não era um Ministério, era um Vice-Ministério.
- Fica triste, marido?
- Bom, pá, paciência. Mais importante são os meus cargos nas 15 grandes empresas.
- Ontem, no nosso jantar, você disse que eram 35...
- Minha querida, você escutou mal. Não há, no país inteiro, 35 grandes empresas. Aliás, a maior parte dos empresários de sucesso ainda anda à procura de empresas.
- Não entendo essa matemática.
- É que, no nosso país, há mais empresários que empresas.
- Trinta e cinco... Trinta e cinco são os nossos anos de casados. E estou tão orgulhosa de si, meu ex-ministro, você foi sempre tão ambicioso...
- Ambicioso, não. Ganancioso.
- E qual é a diferença?
- O ambicioso faz coisas. O ganancioso apropria-se das coisas já feitas por outros.
- Você apropriou-se de mim que fui feita por outros.
- Isso é verdade, cara esposa. Uma coisa é verdade: vai-me fazer falta o poder.
- O poder? Não me diga que lhe está faltar o poder, marido?
- Alto lá, falo apenas do poder político. Quer dizer, a grande vantagem de estarmos no Poder é que, para sermos empresários, não precisamos de empreender nada. A bem dizer, nem precisamos de empresas.
- Mas, marido, eu também tenho empresas, você diz que colocou uma data de empresas em meu nome.
- Tem razão, minha querida. Vou usar das minhas influências e pedir para você ser nomeada Ministra.
- Eu, Ministra? Para quê?
- Que é para, a partir da agora, você abrir empresas em meu nome.

Crónica de Mia Couto, escritor moçambicano, publicada na edição de Fevereiro da revista África 21

terça-feira, março 10, 2009

Pele 28




Parece que atingimos um ponto em que nao ha sistema politico e economico que resista à gula desmedida da espécie humana. Mais do que crise, parece ser a falencia de todos os sistemas que tem como corolario a globalizaçao da pobreza.
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