O povo moçambicano é um povo extremamente critico de si próprio. Consideram-se habilidosos na fala e andam sempre a desenvolver esquemas para ver se tiram beneficios com o menor esforço possivel. A cultura do "estou a pidi". A conclusão não é minha, surge das conversas e das conclusões que eles próprios tiram da sua autoanálise.
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Retratos 30
O povo moçambicano é um povo extremamente critico de si próprio. Consideram-se habilidosos na fala e andam sempre a desenvolver esquemas para ver se tiram beneficios com o menor esforço possivel. A cultura do "estou a pidi". A conclusão não é minha, surge das conversas e das conclusões que eles próprios tiram da sua autoanálise.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Social 17
Anéis - São imprescindíveis. Fazem parte da montra. O princípio é: quem tem boa aparência é bem aparentado. E quem tem bom parente está a meio caminho para passar dos anéis do senhor à categoria de Senhor dos Anéis O jet-setista nacional deve assemelhar-se a um verdadeiro Saturno, tais os anéis que rodeiam os seus dedos. A ideia é que quem passe nunca confunda o jet-setista com um magaíça*, um pobre, um coitado. Deve-se usar jóias do tipo matacão, ouros e pedras preciosas tão grandes que se poderiam chamar de penedos preciosos. A acompanhar a anelagem deve exibir-se um cordão de ouro, bem visível entre a camisa desabotoada.
Boas maneiras - Não se devem ter. Nem pensar. O bom estilo é agressivo, o arranhão, o grosseiro. Um tipo simpático, de modos afáveis e que se preocupa com os outros? Isso, só uma pessoa que necessita de aprovação da sociedade. O jet-setista nacional não precisa de aprovação de ninguém, já nasceu aprovado. Daí os seus ares de chefe, de gajo mandão, que olha o mundo inteiro com superioridade de patrão. Pára o carro no meio da estrada atrapalhando o trânsito, fura a bicha**, passa à frente, pisa o cidadão anónimo. Onde os outros devem esperar, o jet-setista aproveita para exibir a sua condição de criatura especial. O jet-setista não espera: telefona. E manda. Quando não desmanda.
Cultura - O jet-setista não lê, não vai ao teatro. A única coisa que ele lê são os rótulos de uísque. A única música que escuta são umas "rapadas e hip-hopadas" que ele generosamente emite da aparelhagem do automóvel para toda a cidade. Os tipos da cultura são, no entender do matreco nacional, uns desgraçados que nunca ficarão ricos. O segredo é o seguinte: o jet-setista nem precisa de estudar. Nem de ter Curriculum Vitae. Para quê? Ele não vai concorrer, os concursos é que vão ter com ele. E para abrir portas basta-lhe o nome. O nome da família, entenda-se.
Última sugestão: nunca desligue o telemóvel! O que em outro lugar é uma prova de boa educação pode, em Moçambique, ser interpretado como um sinal de fraqueza. Em Conselho de Ministros, na confissão da Igreja, no funeral do avô: mostre que nada é mais importante que as suas inadiáveis comunicações. Você é que é o centro do universo!
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Ambiências 48
Maputo em Janeiro é o equivalente a Lisboa em Agosto. Anda tudo parado e nada desenvolve. As empresas praticamente desertas e todos os negocios estao em banho-maria.
Bem tentei olhar horas e horas para todas as arvores à procura de leopardos mas ainda nao foi desta...
terça-feira, janeiro 13, 2009
Ambiências 47
Em Veneza, a passagem de ano era subordinada ao tema do amor, “Love 2009” e consistia basicamente em celebrar a entrada do novo ano com um beijo colectivo na Praça de S. Marcos. Pretendiam os organizadores do evento demonstrar ao mundo que o amor ultrapassa todas as barreiras sociais, credos, cor e raças e que o entendimento entre todos os povos é sempre possível desde que se abra o coração aos outros. Uma forma alternativa de combater a depressão colectiva que de repente e sem aviso se abateu sobre o mundo ocidental.
O conceito agradou-nos, (não fazia sentido celebrar o amor sozinho) e o local parecia o mais apropriado para o efeito e, assim, partimos rumo a Veneza, à Praça de S. Marcos, armados de algumas garrafas de espumante Franciacorta, com o peitos abertos e receptivos à celebração do amor simbolizado num beijo colectivo para iniciar 2009.
Caminhámos por entre as estreitas ruelas de Veneza debaixo de um frio intenso e anormal, aquecidos pelas emoções que carregávamos connosco e pelo tal espumante que já borbulhava dentro dos nossos corpos. As ruas estavam cheias de viajantes vindos de toda a parte e fervilhavam de boa disposição e, claro, não faltavam pequenos bares que serviam de paragens quase obrigatórias para repor o calor dos corpos que se começavam a ressentir da temperatura exterior. Chegados à Praça de S. Marcos, o cenário prometia. Um palco ao fundo e virado para a Basílica de S. Marcos animava as dezenas de milhares de espectadores que iam festejando a ocasião.
Por acaso, ou não, porque estas histórias do acaso tem pano para mangas, e agora, já em Maputo com um calor de inchar, falar em mangas é coisa que me afronta, o acaso, dizia eu, fez com que no exacto momento em que chegámos ao local do evento, subisse ao palco um casal que ia afirmar o tal conceito de que o amor é universal. Ela, moçambicana, de Pemba – local que nos havia encantado 3 meses antes – e ele austríaco. A coincidência foi enorme, porque em Pemba, havíamos estado em casa de um austríaco que estava com uma moçambicana para festejar o seu aniversário.
Esta coincidência encheu-nos de alegria e surpresa e ainda hoje não sabemos se seriam eles ou não. O que sabemos é que mesmo numa passagem de ano em Itália a terra onde agora vivemos estava representada e fez-se ouvir.
Chegada a meia-noite, o amor celebrou-se colectivamente com uma intensidade e emoção genuínas. Depois, o tradicional fogo de artifício e, enquanto toda a gente olhava para o ar para apreciar as cores e os efeitos do fogo, começaram a cair flocos do céu. 2009 brindou-nos a todos com neve que começou nessa altura a cair intensamente. Eu, português habituado a climas bem mais temperados, vivi o momento com regozijo. Um regozijo que entretanto deu lugar à estupefacção porque findo o fogo de artifício, o palco apagou-se e a festa para todos aqueles milhares de pessoas, acabou!
Nem queria acreditar que um evento daqueles, naquela ocasião, acabasse no exacto momento em que deveria começar! A alternativa para os milhares de pessoas era a neve, os pequenos bares, as ruas labirínticas ou as banheiras quentes cheias de espuma.
A Itália, como o resto da Europa, andam a viver momentos incaracterísticos e estão a perder qualidades. Cada vez mais parece que já não é o que era!
Bem vindos a Moçambique!
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Ambiências 46
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Um porto de partida para o mundo, para o desconhecido, um ponto de encontro de culturas, de raças e de amigos. Este fim-de-semana será novamente um local onde se celebrará a chegada de uns e a partida de outros.
Que melhor local para celebrar estes encontros? O Bairro Alto, e mais precisamente a zona do Adamastor. Porque simbolicamente o Adamastor é sinónimo de reflexão, de perguntas incómodas, de distanciamento da cultura mainstream, de coragem e ousadia. E também porque é um lugar alto, onde se vê o presente e se perspectiva o futuro.
Sempre ouvi dizer que Paris é a cidade das luzes, mas para mim, das artificiais, porque a verdadeira cidade da luz natural é Lisboa com toda a luminosidade que vem do Sol e depois do rio e do mar, uma luz quente e suave que envolve todos os que têm tempo para a ver e sentir.
E vai ser aqui, neste lugar, que se celebrará a amizade e, espero, se faça luz que ilumine os caminhos a seguir nos próximos tempos.
Svegliarci insieme e goderci Lisbona. Salute!
Ah, que saudades de Lisboa!
quarta-feira, novembro 19, 2008
Pele 27
Foto de Francisco Máximo sexta-feira, novembro 07, 2008
Intimidades 19
segunda-feira, novembro 03, 2008
Ambiências 45
quarta-feira, outubro 29, 2008
Modos de Vida 22
No interior da fortaleza de S. João, para além de obras de restauro encontram-se as oficinas dos artesãos de "prata" do Ibo. Aqui, eles realizam uma operação de "estender" o fio. O fio metálico inicialmente de uma determinada espessura vai passando sistematicamente por aquela máquina com calhas de diametros cada vez mais pequenos até que o fio sai completamente filiforme para depois ser trabalhado pelos artesãos. Uma operação que demora cerca de 10 minutos de esforço suado para um cabo de 5 metros.
Quando lá estava, lembrei-me que deveria haver uma máquina assim para os gordos "magnatas" dos lucros pornográficos que originaram esta crise financeira mundial. Depois de passarem por este processo talvez fossem perdendo gradualmente a ganância e ganhando um pouco mais de ética.
sábado, outubro 25, 2008
Ambiências 44

quinta-feira, outubro 23, 2008
Retratos 29

domingo, outubro 12, 2008
Pele 26

Foto de Francisco Máximo
I'm so tired of playing,



