segunda-feira, agosto 18, 2008

Intimidades 18


Cantava o Luís Represas em tempos, uma canção que não sei, e sou incapaz de reproduzir de memória, precisamente sobre a memória. E dizia ele que “as memórias são como livros escondidos no pó”. Mas são livros especiais, com muito menos páginas do que as vivências, porque não contam a história toda, mas só aquilo que se quer recordar. Uma espécie de resumos subliminares das coisas boas que se quis guardar. Dizia também um filósofo a este propósito que “A memória age como a lente convergente na câmara escura: reduz todas as dimensões e produz, dessa forma, uma imagem bem mais bela do que o original”

É tanto assim que se se quiser reconstituir um momento passado vivido por duas ou mais pessoas, elas, em conjunto, terão uma história bem mais rica e diferente do que se fosse contada por apenas uma.

É exactamente sobre este confronto de memórias sobre a mesma história que me apetece dizer que no essencial, a tela, a matriz, o cenário são os mesmos. As cores e os pormenores dos traços com que se enchem a tela é que são diferentes e essas diferenças são determinantes no relato de uma história ou de um acontecimento.

Vem isto a propósito de memórias passadas que revisitei quando estive em Portugal e memórias futuras que ficarão daqui de Moçambique ou de outro lado qualquer onde possa estar e vem também a propósito de que, no essencial, gosto das memórias que vou colectando. E sinto-me em paz. Uma paz, porém, irrequieta.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Séries 28

Não, definitivamente o dia não estava a acabar como previsto. Dito assim até parece que havia algum plano para o fim do dia, que não havia, porque o Destino – estranho nome para um gajo que nem acreditava no conceito, nem nele próprio – acreditava que o melhor era deixar correr o tempo e os acontecimentos e interferir apenas quando a coisa ou descambava ou se vislumbrava uma alternativa a considerar.

Naquela noite decidiu convidar a Estele para uma saída cultural, uma sua conhecida de amigos comuns, um conhecimento que ainda gatinhava e que pensou poderia começar a andar a partir daquela noite, uns passos tímidos mas seguros para uma relação de amizade, porque a Estela era boa onda mas não o entusiasmava nem atraía para mais do que umas francas gargalhadas.

E a noite corria e escorria, umas cervejas atrás de outras e mais sabe-se lá o quê, música, dança e a subtileza feminina da Estele caiu por terra e deu lugar à investida, directa e sem mais. Ele, que a tinha flirtado infantilmente, sem esperar rigorosamente nada mais do que o encanto entre duas pessoas, foi apanhado desprevenido pela investida. Meio tolhido do álcool não conseguiu nem fez esforço para contrariar a investida e só pensava lá no fundo que não era bem aquilo que ele queria, mas a espuma da cerveja já tinha derrubado os muros da vontade e dali para a frente seria o que o destino, não ele que já não tinha qualquer capacidade de decisão, quisesse.
Bem vistas as coisas, argumentou em pensamentos entaramelados justificando-se para si próprio, até era uma mulher elegante, curvas bem feitas e suficientemente pronunciadas, uma pele dourada e tentadora, cabelos fartos e vistosos e uma voz bastante sensual. De qualquer maneira sentia que já não conduzia nada e que era conduzido.
O pior é que tinha mesmo que conduzir, tinha ainda que fazer a auto-estrada até casa e tinha que a conduzir, ele que já não tinha mão em nada porque os acontecimentos precipitavam-se a uma velocidade superior ao seu poder de encaixe.

No caminho pela auto-estrada decidiu, talvez pela reserva de lucidez que emergia para o fazer conduzir o carro, que em vez de não ter a mão em nada era tempo de deitar a mão a qualquer coisa de palpável e apreciar aquele belo corpo que ali estava disponível. E assim fez, com um sorriso pateta que parecia dizer agora sou eu que mando a minha vontade que afinal é a tua, começou a tocá-la com uma mão enquanto segurava o volante com a outra. E ela agradeceu, sentiu que a investida que tinha feito até então começava a dar os frutos que desejava e que finalmente o prazer carnal que ansiava, chegava. Despiu-se ali mesmo no banco do carro de forma a poder absorver em todos os poros os toques que desejava e nem o facto dele estar a partilhar a atenção à estrada e ao seu corpo a incomodava, pelo contrário, estimulava-a ainda mais. Pernas abertas e pés sobre o tabliê, a posição que escolheu para a recepção de outra pele que não a dela.

Os primeiros raios de luz já se faziam ver durante a viagem. Ela, satisfeita com a forma como o dia despontava, ele, aturdido, meio autómato de uma vontade que não era a dele e que não conseguia contrariar. Chega o fim da auto-estrada, o anúncio das portagens e ela, abrindo os olhos devido ao abrandamento da marcha, olha para a trajectória escolhida e pergunta meio incrédula, meio horrorizada: “ Não tens VIA VERDE???”

Ele responde com o ar mais natural e espantado com tamanha incrudelidade: “ ...não…”

quarta-feira, julho 16, 2008

Séries 27




Regressei durante um mês e meio à terra natal, o cantinho da Europa. Acho que não exagero se disser que a minha percepção é que algo mudou neste ano que passou e mudou infelizmente para pior. A depressão colectiva que já dava sinais no ano passado instalou-se e, segundo parece, para ficar por muitos e penosos anos.

Crise é a palavra mais ouvida e escrita neste país: crise energética, crise imobiliária, crise alimentar, crise social, crise bolsista, crise financeira. Desemprego, pobreza, nova pobreza, falências, sobre-endividamento, insegurança, violência urbana, fraudes, são os chavões que fazem manchetes na comunicação social. Não há opinador, comentador e político que não falem e não vaticinem que a crise está e para durar.

O curioso é que nesta crise, aqueles que a anunciam que a originaram e que a gerem, não parecem nada afectados por ela. Na verdade a crise é para os outros e não para eles. Lucros indecorosos das grandes empresas que nunca ganharam tanto, ordenados e autodistribuição de prémios verdadeiramente escandalosos e indecorosos que contrastam com a miséria crescente à sua volta. Uma verdadeira lógica de terra queimada que será impossível de sustentar. O exemplo paradigmático é o da cimeira dos G-8 no Japão onde o tema em cima da mesa era a fome, a crise alimentar e ambiental. Ora os 8 e mais uns amigos refastelaram-se com um jantar que nos dias que correm seria facilmente catalogado de pornográfico!

No meio disto encontro uma franja social portuguesa frequentadora da noite que vive a vida como se ela fosse acabar amanhã porque o futuro anda demasiado incerto: Imediatismo nas relações como se fossem um sorvete, imediatismo na atitude como se o álcool e as drogas deixassem abrir as portas que sobriamente estariam fechadas. Porque em alturas de depressão nada como uns aditivos para colorir o cinzentismo paira no ar, que pintam o mundo de amor fácil e que mostram as "realidades" que se querem mirar.

No final, tendo a achar que África, com todos os desequilíbrios, toda a humidade e calor, é um local de descanso e de repouso.

sexta-feira, junho 13, 2008

Séries 26

- Bom dia! Desculpe eu ando à procura do caminho do futuro…
- Ah, não tem nada que enganar, vá sempre em frente e depois vire à direita!
- Muitíssimo obrigado!



- Bom dia! Desculpe, eu ando à procura do caminho do futuro… disseram-me para ir sempre em frente e virar depois à direita, mas fui parar a um caminho que desabou e… não tem alternativas…
- Ah claro! esse caminho pela direita só podia dar mesmo num beco sem saída! É pela esquerda o caminho! mas antes do cruzamento onde virou à direita!
- Muitíssimo obrigado!



- Bom dia… olhe já estou cansado de procurar o caminho para o futuro… primeiro disseram-me para virar à direita e fui dar a um beco sem saída, a estrada tinha desabado… percebe?... depois disseram-me que era para virar à esquerda antes de ter virado à direita, mas fui dar a uma estrada cheia de rotundas, fartei-me de andar às voltas, às voltas e no fim, nem sei como, fui parar ao mesmo sítio onde a estrada tinha desabado…
- O quê? Você está a gozar comigo?
- Como assim, eu procuro o caminho do futuro…?
- O caminho do futuro? Mas que raio de porra é essa? Você é maluco ó quê?
- Não senhor, eu procuro o caminho do futuro, do futuro sustentado e sustentável…
- O caminho do futuro? Você é mesmo maluco!... e ainda por cima o caminho do futuro sustentável?? Para além de maluco é imbecil e está a gozar comigo!
- Mas não, veja bem, quero saber o caminho para um futuro onde a conservação seja um conceito a vigorar em pleno, onde o aumento demográfico seja travado drasticamente, onde a desertificação dos campos agrícolas pare e o aumento da produção de alimentos seja real, onde pare a especulação bolsista e as fusões em larga escala, onde se respeitem os direitos humanos e a justiça social, em que acabe a divisão do mundo em vários mundos, onde se consiga travar o aquecimento global e se desenvolvam formas de energia credíveis e limpas, onde a água seja um bem acessível para todos...
- Oh homem, não seja parvo!

quinta-feira, junho 12, 2008

Séries 25



O dia corria igual a tantos outros, não fora a presença daquela ainda estranha companheira de casa. Ele estava habituado a um quotidiano sem regras em que a rotina era a sua própria inexistência e, para dizer a verdade, pouco parava em casa, preferia umas cervejas na companhia de quem calhasse até que o cansaço o vencesse e o levasse para a cama, muitas vezes fora de horas, muitas vezes só, outras vezes acompanhado por alguém que lhe servia os propósitos da carne. Nesse capítulo da sua vida, era egoísta, usava nos seus próprios termos e no seu belo prazer e descartava, como quem usa uma pastilha elástica esperando que ela liberte todo o seu suco sem ter que dar uma única mastigadela.

Os primeiros raios de luz que o faziam despertar eram muitas vezes penosos e agressivos. O corpo fazia-o lembrar com dor dos excessos que cometia e da falta de comida que se esquecia de ingerir. É, insistia em enganar o corpo com álcool e com álcool combatia a ressaca.

Agora, porém, a presença daquela alma que subitamente lhe apareceu em casa numa dessas noites perdidas no tempo e que, sabe-se lá porquê, foi ficando noite após noite e dia após dia, estava-lhe a provocar mudanças no seu quotidiano.

Comia agora melhor, preocupava-se com a alimentação e a verdade é que cada dia que passava o seu apetite ia ficando cada vez mais voraz. Permitia-se agora, em momentos de rara intimidade, depois de autênticos repastos para os sentidos que ela carinhosamente lhe preparava, dizer - És tão boa para mim! Mas depressa acrescentava sofregamente com toda a gula e luxúria que aos poucos se libertavam e o dominavam - Quero mais!

Um dia, quis demais. E quis nos seus próprios termos, aqueles em que afinal estava habituado e com os quais pautava até aí a sua vida solitária. E sem que uma única lágrima dela se soltasse, morreu, só, espojado, de barriga para o ar, afogado com o seu próprio vómito de cerveja. Ela, comprou uma flor em sua honra e atirou-a ao mar, esperando que a corrente a levasse para bem longe porque afinal ela era uma sobrevivente e sempre acreditou que em cada esquina, a vida, tal como a morte, espreitam.

segunda-feira, junho 09, 2008

Séries 24


Era cedo. Bem cedo tendo em conta as escassas horas que a vírgula tinha descansado, porque na realidade a noite já se fazia anunciar com os últimos raios de sol. Na madrugada anterior tinha ficado pendurada numa frase que alguém não chegou a acabar,porque se desligara.

E a vírgula deambulava pela casa à procura de uma palavra ou uma frase certa onde se pudesse encaixar. Sabia a importância que tinha, criava uma pausa, um certo momento de reflexão, entre as palavras onde se interpusesse. Dava um ar mais solene, mais pausado, mais maduro, pensava. Porém precisava desesperadamente de palavras para dar um sentido à sua existência. Assim, cansada de estar naquela casa em silêncio, onde os raios de sol que penetraram pelas amplas janelas não tiveram a eficácia para acordar ninguém, decidiu ela própria ir ao encontro daqueles seres adormecidos na esperança de os acordar e, dessa forma, aproveitaria a primeira oportunidade para se aninhar entre as primeiras palavras que se soltassem e que fossem coerentes com a sua condição.

Visitou um a um os três seres que para ali jaziam, dois aninhados na mesma cama e outro que se encontrava sozinho num quarto.

Depositou esperanças no casal. Pensou que seria mais provável que entre dois se pudessem soltar palavras ou frases soltas, como comboios que partiriam e ela apanharia a carruagem certa. E assim ficou, qual caçador furtivo, à espreita primeiro de sons com sentido e com significado. Sentou-se à beira da cama, por cima da cabeceira, nas almofadas, esperando que esta súbita actividade os pudesse despertar. Mas nem assim, eles pareciam seres inanimados e a única prova de que não estavam mortos era o calor que libertavam e uns roncos soltos e descompassados que se soltavam sem ordem e sem ritmo.

Caramba, pensou, um ronco, dois roncos não são lugares para mim. Que diriam as outras vírgulas quando soubessem que ela não tinha conseguido melhor do que aninhar-se entre dois roncos… rooom, room. Não, não era para isso que ela tinha sido criada! Exausta de esperar decidiu ter uma atitude mais arrojada: já que não conseguia entrar na carruagem de palavras iria entrar no avião dos pensamentos. Era isso, iria pôr-se à escuta dos pensamentos daqueles dois e iria ocupar o seu lugar entre os pensamentos, dando uma pausa e um ritmo aos sonhos daquelas criaturas que se encontravam nas profundezas. Pôs-se à escuta, tentou cuidadosamente sintonizar a frequência daqueles dois mas, para seu espanto, daqueles nada saía, nem um pensamento. Nada saía não é completamente verdade, já que eles exalavam um hálito a álcool estragado e, percebeu para infelicidade sua, que aquele álcool e sabe-se lá que mais, era o responsável por todo aquele vazio de ideias e por todo aquele estado de inanição.
Decidiu então ir ao outro quarto com uma esperança cada vez menor de aí dar um sentido à sua tão nobre e já exasperada existência. Quando chegou, o cenário não era assim tão diferente do anterior e receou que tudo se repetisse e que ela se perdesse para sempre. Cautelosa, passou de imediato ao plano dos pensamentos porque já não acreditava que daquela criatura de carapinha eriçada, farta e fofa se soltasse uma única palavra, quanto mais frases. Foi então que decidiu sentar-se naquela cabeleira fofa e confortável e pôs-se novamente à escuta de pensamentos que ela pudesse libertar.
Espreitou e percebeu que ali só pensamentos brancos e poeirentos se poderiam soltar subindo no vapor do álcool que se libertava devagar. Desesperou-se com a ideia de não conseguir concretizar o seu objectivo e ficar ali perdida para sempre emaranhada e presa naqueles cabelos de carapinha. Foi então que um acontecimento novo ocorreu e que lhe deu uma súbita esperança. A criatura levantou-se, infelizmente em silêncio que mais parecia um despertar sonâmbulo, arrastando-a consigo presa naquela selva amazónica de cabelos. Dirigiu-se à cozinha, e com uma voz arrastada, disse simplesmente: “Onde está o chá?”

Foi o pânico, ela, uma vírgula, não tinha lugar naquela frase que ameaçava ser a única que se soltaria daquela boca. Desejou ser um ponto de interrogação, um ponto final ou, até em desespero, um ponto e vírgula, mas a verdade nua e crua é que era apenas e só uma vírgula sem lugar onde cair. Libertou-se com dificuldade dos cabelos e decidiu empoleirar-se nas sobrancelhas, bastante menos perigosas, e espreitar para baixo, completamente debruçada para poder ver a boca e assim saltar e agarrar a palavra certa que a salvaria daquele pesadelo e daquelas ressacas que os três arrastavam nos olhos baços e remelosos. Tanto se debruçou que o horror aconteceu: caiu directa na lata de chá, misturando-se com as ervas secas que também pareciam vírgulas e, como um mal nunca vem só, foi arrastada pela colher que a levaria para a água fervente.
Triste fim para uma pobre e dedicada vírgula, cozida naquela água agora tingida pelas outras espécies de vírgulas e engolida pela boca daquela criatura de cabelo fofo e eriçado. Já que iria ser engolida e que a sua função era a de ritmar as palavras com pausas, nos últimos instantes da sua agonia rogou uma praga: Que ficasse gago para sempre, para saber o poder que uma vírgula teria dentro de si.

sábado, maio 31, 2008

Retratos 28


Nos últimos dias Moçambique tem vivido agitado com o drama dos refugiados que fugiram da violência e da morte na África do Sul. O nível de violência que se gerou e espalhou por várias cidades sul-africanas foi verdadeiramente atroz.
Poucos meses antes e como resultado das conturbadas e manietadas eleições no Zimbabwe, milhares de zimbabuéanos fugiram do país após a onda de violência, tortura e intimidação. Fugiram uns para Moçambique, a maioria para a África do Sul e fugiram nas piores condições que podem haver, sem nada.
Álgumas etnias sul-africanas que vivem pessimamente, desempregados, sentiram-se ameaçadas com esta invasão de estrangeiros e viraram as suas frustrações contra os que, afinal, são como eles, os refugiados e, posteriormente, todos os estrangeiros eram alvos a abater e a escorraçar.
E assim começou mais uma página negra na história de África e mais uma para a África do Sul. Milhares de refugiados africanos fugidos da África do Sul que fogem não apenas da morte, mas da morte lenta, da imolação, porque é assim que esta gente mata por estas paragens.
Milhares de emigrantes estão colocados em campos de refugiados sem condições mínimas para os receber e a inércia do governo sulafricano perante esta crise interna, a pior desde a abolição do apartheid, é já condenada pela comunidade internacional.

Entretanto, mais de 35.000 moçambicanos regressaram ao país de origem sem um único haver e vinham como gado, aos molhos em comboios de camionetas de caixa aberta e pick-ups por tudo o que era estrada ou picada que chegasse a Moçambique. O problema deste êxodo é que esta gente que saiu sem alternativas regressa ainda numa posição mais frágil, sem alternativas de trabalho e desenraizados. Imagino eu que agora a onda de criminalidade aumentará com todos estes moçambicanos, nigerianos, zimbabuéanos e sei lá que mais, que regressaram desesperados mas com um horizonte de esperança que se fechou na fronteira.

domingo, maio 18, 2008

Sugestão 11





Entre 15 de Maio e 15 de Julho decorre o período de recepção da candidatura ao PRÉMIO NOVO TALENTO FNAC FOTOGRAFIA 2008.


A FNAC, pioneira em acções de promoção e apoio à criação artística e aos novos talentos, legitima o seu posicionamento de especialista e promotor cultural, lançando a 6ª edição do Novo Talento Fnac Fotografia, concurso inserido no programa de acção cultural NOVOS TALENTOS FNAC que a empresa dedica a artistas promissores nas áreas da literatura, música e fotografia.


Foto de nelson d'aires

Foto de Nelson d'Aires




Desde 2003, a FNAC organiza o Prémio Novo Talento Fnac Fotografia procurando consagrar jovens fotógrafos que apresentem trabalhos inéditos, originais e com uma escrita fotográfica coerente. Em 5 edições, foram vencedores deste Prémio Pedro Guimarães, Francisco Kessler, António Lucas Soares, Virgílio Ferreira, João Margalha, Nelson d’Aires e Inês d’Orey.

Para mais informações sobre o regulamento vejam www.fnac.pt

terça-feira, maio 13, 2008

Ambiências 42

Mercado do Peixe, Maputo, 2008




Ultimamente tem-se falado bastante da crise alimentar que se reflete na escassez de alimentos e no aumento desmensurado dos preços. Lembrei-me de um mail que recebi há tempos sobre este tema e que se referia a uma pesquisa feita pela ONU.

Rezava assim o mail:

" A ONU decidiu fazer uma grande pesquisa mundial lançando uma pergunta ao mundo:
Por favor, diga honestamente, qual a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo.

Os resultados foram embaraçosos, porque:

- Os europeus do norte não entenderam o que era escassez;
- Alguns países africanos não sabiam o que era alimentos;
- Os espanhóis não sabiam o significado de por favor;
- Os norte-americanos pediram explicações sobre o significado de resto do mundo;
- Os cubanos estranharam e pediram mais explicações sobre o termo opinião;
- Os parlamentos dos PALOPs andam ainda a debater o que significa diga honestamente."

sexta-feira, maio 02, 2008

Ambiências 41



Há tempos houve uma frase que aparecia na contra-capa de um livro que me chamou a atenção:

"tenho medo que a liberdade se torne um vício"

Pensei nesta frase enquanto assistia a um concerto de música na Swazilândia de um sul-africano respeitado e amado por todos os africanos para quem a liberdade e os direitos humanos são palavras caras. O Concerto teve lugar num lugar chamado "House on Fire".

Johnny Clegg foi e é um homem que cantou a desigualdade social na áfrica do sul nos tempos do auge racial e que preconizou uma sociedade alicerçada em valores democráticos. Enquanto cantava alguns dos seus hinos acompanhado por outras vozes africanas que se harmonizavam com ritmos contagiantes, a assistência, casais com filhos, avós e netos, dançava e cantava sentindo aquela música com imensa alegria.

Claro que não faltou uma canção dedicada ao decréptico mas ainda perigoso Robert Mugabe e à situação política no Zimbabwe.



After hours, House on Fire, Swazilândia, 2008


No fim do concerto contagiado por aquele ambiente de comunhão, tive que ouvir umas vozes portuguesas e fundir-me com umas vozes amigas que há muito não ouvia.
Acabei a noite a dormir num pequeno e simpático lodge bem no meio de uma reserva natural, rodeado de vida selvagem e de uma paisagem deslumbrante, tão característica de áfrica. Adormeci com um sono solto, com aquela frase a visitar-me e a acordar-me.

Mlilwane Wildlife Sanctuary, Swazilândia, 2008

terça-feira, abril 15, 2008

Pele 23

Manica, Moçambique, 2008





"Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio."


António Gedeão em "Lágrima de preta"

quinta-feira, abril 10, 2008

Séries 23

Foto de nelson d'aires




Lembro-me do dia em que esta foto foi recolhida como se tivesse hoje. O ambiente era de festa e de tradições pagãs. Percorri aqueles lugares com pés de forasteiro, como se pisasse uma terra que só pertencia aquela gente, e com olhos que queriam captar toda e qualquer expressão de olhar, de rostos, de ambiente e tradições. Estava consciente de aquele não era o meu lugar mas que me acolhia com gosto e com uma hospitalidade genuína que faz esquecer o tempo.

Mas porque raio me lembrei hoje eu disto?
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