terça-feira, janeiro 23, 2007

Social 13


Dia 11 de Fevereiro os portugueses serão novamente chamados a pronunciarem-se sobre a interrupção voluntária da gravidez. O tema é naturalmente polémico. Neste esgrimir de argumentos é, todavia, absolutamente impensável que alguns intervenientes procurem posições fracturantes. É o caso de alguns responsáveis da igreja que ameaçam os católicos que votem sim de excomunhão e que todos os que defendem o sim sejam considerados assassinos.
Perante estes argumentos até me atreveria a dizer que se estes mesmos personagens vivessem no período áureo da influência da igreja nas decisões civis mandariam matar todos os que defendem o sim neste referendo, porque nestas coisas há que ter muito respeito pela vida.
Faz sentido ter uma lei que preconiza a perseguição e a prisão de mulheres que pratiquem a IVG?

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Intimidades 14


Faz tempo que este espaço estava parado sem que nada de novo acontecesse. Talvez porque ultimamente me apetecesse que o tempo parasse e que o amanhã ainda continuasse hoje, num tempo sem tempo, como nesta loja de aldeia em que as marcas do tempo se manifestavam apenas nos sulcos que tinha escavado na pele deste casal.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Modos de Vida 16

Há dias em que tenho a sensação de ser bipolar. Chego às aulas, olho para os meus alunos e parece que me liguei à terra. Todos os problemas que teria, ficaram à porta. Sim, sou um dos professores privilegiados que apesar de denegrido e maltratado por este poder executivo ainda tem prazer em dar aulas. Tenho prazer quando sinto que de alguma forma posso marcar alguns daqueles seres que crescem cada dia que passa, rindo e aprendendo juntos. No entanto, quando penso no que os espera, um mundo de competitividade desenfreada e hipocritamente nivelada por baixo, saio da aula, fecho a porta e bem vindo ao mundo real!
Enquanto a Ásia for um mercado aberto aos grandes negócios e ao grande capital, teremos que “competir” com toda a espécie de atropelos aos direitos humanos.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Pele 13

Neste amor que brota naturalmente da natureza humana, quem precisa mais de quem?
A memória ficará sempre gravada pelo cheiro da pele, pelo toque, pelos beijos e pelos sorrisos que trocaram.

terça-feira, novembro 21, 2006

Ambiências 33



Para que conste: este espaço tem no rodapé um pequena frase que diz: “Todas as fotografias expostas têm a permissão dos respectivos autores”.
Porque razão estaria esta frase lá escrita se assim não fosse? Só as mentes eventualmente invejosas que revelam ou pouca atenção aos detalhes importantes ou uma desonestidade intrínseca, é que podem duvidar.
O critério de selecção das fotos, para quem estiver interessado em saber, não é o do conhecimento dos autores mas exclusivamente das fotos dos autores.
A entrada das fotos aqui, isso sim, depende de critérios bastante mais objectivos e rigorosos: da conjugação dos astros, do número de neutrinos que numa determinada hora atinge a crosta terrestre e, não menos importante, do fluxo de radiação UV que é absorvida na camada de ozono porque, como sabem, a radiação UV causa males de pele e pruridos indesejáveis.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Sugestão 09




Inaugura amanhã no Espaço Quadrante, no Centro Cultural de Belém, uma exposição colectiva de fotografia inserida na comemoração do Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação. Estará patente ao público durante todo o mês de Novembro e depois estará no arranque no rali Lisboa Dakar. Será posteriormente exibida nos Casinos de Lisboa e continuará a sua marcha por alguns pontos do País. Esta exposição, produzida por
Sofia Brás Monteiro, é uma iniciativa da Comissão Nacional de Coordenação do PANCD.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Séries 10

Hoje é dia de prós e contras. Adivinhem o tema. Não acertei no euromilhões.

domingo, setembro 10, 2006

Ambiências 31

Anteontem, no telejornal da RTP1, passou a meio da emissão uma notícia flash que dizia que segundo um estudo os professores portugueses eram os terceiros mais bem pagos da OCDE. A notícia parecia um meteorito daqueles que se desfazem imediatamente mal entra na atmosfera, porque foi apresentada e nada mais se disse. Não houve comentários, entrevistas ou análises à notícia que ali, naquele estúdio, caíu do céu. Perguntei-me se esse mesmo estudo não iria concluir que o salário mínimo nacional estaria afinal também muito bem classificado e se, com os mesmos critérios, afinal desconhecidos, o salário dos políticos não estaria no topo do ranking da OCDE.
Aposto qual vai ser brevemente o tema dos prós e contras.

sábado, setembro 02, 2006

Modos de Vida 15

Estava calor. Um calor húmido e abrasador, daqueles que faziam destilar todos os eventuais venenos que se pudessem ter ingerido nos dias anteriores. À volta, calhaus, rochas e areia em planícies limitadas ao longe por cadeias montanhosas que rasgavam o horizonte como fantasmas, com contornos pouco nítidos e que ondulavam ao sabor do calor que o solo radiava. Depois de algumas horas naquele deserto árido onde apenas se atreviam algumas cabras afoitas na busca de algo seco e orgânico avistei o que se poderá naquelas bandas chamar de quinta. O único sinal de que a quinta não estava abandonada era a presença de um homem que se deslocava naquela aridez cumprindo gestos e hábitos quotidianos de quem está habituado a viver com mãos cheias de nada rodeado de coisa nenhuma. Abordei-o. Pediu-me um cigarro. Dei-lhe um cigarro e rapidamente percebi que aquele dia seria para ele um dia de sentimentos contraditórios: Por um lado o festim do cigarro, por outro, a intrusão de forasteiros naquelas terras onde ele se sentia rei. Perguntei-lhe que fazia ele ali naquele sítio à torreira do sol. Disse-me que tinha ido buscar água. Olhei para o recipiente que transportava. Havia lá um líquido acastanhado. Perguntei-lhe o que conseguia cultivar naquela aridez. Olhou para mim e disse-me que cultivava tudo. Confuso, olhei em volta e apenas umas tamareiras amarelecidas rasgaram o solo duro e quebradiço. Olhou para mim e acrescentou sorrindo, tudo, quando chove. Um sorriso que me arrepiou, por ser um sorriso triste, todavia superior, com trejeitos de ironia. Naquele sítio não chove faz anos. Acendi-lhe o cigarro, dei-lhe mais uns cigarros e ele afastou-se transportando aquele líquido acastanhado com o mesmo sorriso com que me havia presenteado.
Ao fim do dia, chegado ao reduto com aromas ocidentais, com o corpo ainda coberto de aridez, ouvia-se na televisão que emitia a RTP África um drama nacional que afectava a nação lusa: O Caos na Liga de Futebol. Adormeci num sono solto, assaltado por aquele sorriso.
  • Todas as fotografias expostas têm a permissão dos respectivos autores.
  • Exceptuam-se apenas as fotos da Secção Biografias.
  • O Blografias agradece a todos os autores que participam neste espaço de divulgação de fotografia
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