terça-feira, novembro 21, 2006

Ambiências 33



Para que conste: este espaço tem no rodapé um pequena frase que diz: “Todas as fotografias expostas têm a permissão dos respectivos autores”.
Porque razão estaria esta frase lá escrita se assim não fosse? Só as mentes eventualmente invejosas que revelam ou pouca atenção aos detalhes importantes ou uma desonestidade intrínseca, é que podem duvidar.
O critério de selecção das fotos, para quem estiver interessado em saber, não é o do conhecimento dos autores mas exclusivamente das fotos dos autores.
A entrada das fotos aqui, isso sim, depende de critérios bastante mais objectivos e rigorosos: da conjugação dos astros, do número de neutrinos que numa determinada hora atinge a crosta terrestre e, não menos importante, do fluxo de radiação UV que é absorvida na camada de ozono porque, como sabem, a radiação UV causa males de pele e pruridos indesejáveis.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Sugestão 09




Inaugura amanhã no Espaço Quadrante, no Centro Cultural de Belém, uma exposição colectiva de fotografia inserida na comemoração do Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação. Estará patente ao público durante todo o mês de Novembro e depois estará no arranque no rali Lisboa Dakar. Será posteriormente exibida nos Casinos de Lisboa e continuará a sua marcha por alguns pontos do País. Esta exposição, produzida por
Sofia Brás Monteiro, é uma iniciativa da Comissão Nacional de Coordenação do PANCD.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Séries 10

Hoje é dia de prós e contras. Adivinhem o tema. Não acertei no euromilhões.

domingo, setembro 10, 2006

Ambiências 31

Anteontem, no telejornal da RTP1, passou a meio da emissão uma notícia flash que dizia que segundo um estudo os professores portugueses eram os terceiros mais bem pagos da OCDE. A notícia parecia um meteorito daqueles que se desfazem imediatamente mal entra na atmosfera, porque foi apresentada e nada mais se disse. Não houve comentários, entrevistas ou análises à notícia que ali, naquele estúdio, caíu do céu. Perguntei-me se esse mesmo estudo não iria concluir que o salário mínimo nacional estaria afinal também muito bem classificado e se, com os mesmos critérios, afinal desconhecidos, o salário dos políticos não estaria no topo do ranking da OCDE.
Aposto qual vai ser brevemente o tema dos prós e contras.

sábado, setembro 02, 2006

Modos de Vida 15

Estava calor. Um calor húmido e abrasador, daqueles que faziam destilar todos os eventuais venenos que se pudessem ter ingerido nos dias anteriores. À volta, calhaus, rochas e areia em planícies limitadas ao longe por cadeias montanhosas que rasgavam o horizonte como fantasmas, com contornos pouco nítidos e que ondulavam ao sabor do calor que o solo radiava. Depois de algumas horas naquele deserto árido onde apenas se atreviam algumas cabras afoitas na busca de algo seco e orgânico avistei o que se poderá naquelas bandas chamar de quinta. O único sinal de que a quinta não estava abandonada era a presença de um homem que se deslocava naquela aridez cumprindo gestos e hábitos quotidianos de quem está habituado a viver com mãos cheias de nada rodeado de coisa nenhuma. Abordei-o. Pediu-me um cigarro. Dei-lhe um cigarro e rapidamente percebi que aquele dia seria para ele um dia de sentimentos contraditórios: Por um lado o festim do cigarro, por outro, a intrusão de forasteiros naquelas terras onde ele se sentia rei. Perguntei-lhe que fazia ele ali naquele sítio à torreira do sol. Disse-me que tinha ido buscar água. Olhei para o recipiente que transportava. Havia lá um líquido acastanhado. Perguntei-lhe o que conseguia cultivar naquela aridez. Olhou para mim e disse-me que cultivava tudo. Confuso, olhei em volta e apenas umas tamareiras amarelecidas rasgaram o solo duro e quebradiço. Olhou para mim e acrescentou sorrindo, tudo, quando chove. Um sorriso que me arrepiou, por ser um sorriso triste, todavia superior, com trejeitos de ironia. Naquele sítio não chove faz anos. Acendi-lhe o cigarro, dei-lhe mais uns cigarros e ele afastou-se transportando aquele líquido acastanhado com o mesmo sorriso com que me havia presenteado.
Ao fim do dia, chegado ao reduto com aromas ocidentais, com o corpo ainda coberto de aridez, ouvia-se na televisão que emitia a RTP África um drama nacional que afectava a nação lusa: O Caos na Liga de Futebol. Adormeci num sono solto, assaltado por aquele sorriso.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Ambiências 30

Misture-se paz com amor. De seguida, prepare uma dose de liberdade sem destino, junte sol, lua, vento, terra, areia, água salgada ou doce e pele nua. Polvilhe tudo com humor e sirva quente. Verá que passado uns momentos os corpos dançarão ao sabor da harmonia de todos os elementos.

sexta-feira, julho 14, 2006

Séries 09

Saíram ontem os resultados dos exames nacionais. Convém dizer que sobre as mesmas disciplinas haviam dois tipos de provas: as que incidiam sobre programas leccionados há dez anos e as que incidiam sobre programas que se estrearam em 2003 e que tiveram o culminar em 2006, fechando o ciclo. Convém dizer também que quando se iniciaram os novos programas, ambiciosos e extensíssimos, os professores foram formados à pressão. Isto é, recebiam formação em Setembro e Outubro para os começarem a leccionar em Setembro! Mais, os novos programas implicavam equipamentos laboratoriais que não chegavam nem chegaram em tempo útil às escolas. Foi uma reforma feita à pressa e que se iniciou por disparates políticos pressionados pelas Editoras livreiras. Os resultados foram os que já se conhecem. O Ministério ficou tão escandalizado e surpreendido ( só mesmo os inconscientes e pouco prevenidos é que se escandalizam, porque os professores avisaram ) que permite agora à laia de remedeio que os alunos repitam novamente as provas na 2ª Fase e que conte a melhor nota.

Este processo que durou três anos espelha a irresponsabilidade com que a tutela inicia reformas: Não as prepara, não as acautela, lança os dados e pensa que a sorte protege os audazes.

Agora não me apetece dizer mais, nem me apetece dizer que formalmente os professores e o trabalho que desenvolveram desde Agosto de 2005 até hoje e até Dezembro de 2006 não existe nem existirá, não conta nem contará, foi e será a feijões: São os profes-zombies.

quinta-feira, junho 29, 2006

Retratos 20

Sei porque vais e sei que quando chegares muitos pequenos rostos sorrirão e que isso te dará a felicidade que buscas. Sei também que quando ouvires uns sopros de flautas sentirás na pele que a música aproxima e liga as pessoas e os povos.

quinta-feira, junho 22, 2006

Modos de Vida 14


Em tempo de Mundial de futebol a selecção nacional vai anestesiando o povo com os resultados que está a alcançar nas terras germânicas. Acho mesmo que o primeiro-ministro em caso de vitória deve ter prometido regalias especiais aos jogadores de forma a manter a moral do povo em cima e distraída com o que se passa. Este último mês, foi apresentado um conjunto de medidas de ataque violentíssimo aos professores, à sua dignidade profissional e às escolas públicas. Não, nem sequer me estou a referir a essa absurda ideia de os pais avaliarem o desempenho dos professores, porque essa proposta, para além de risível é a de menor importância no conjunto das propostas ao, diria, futuro “Não-Estatuto-dos-Professores.”
Se esta proposta se vier a verificar, os jovens e menos jovens professores deste país apodrecerão numa carreira estagnada sem o menor motivo de interesse por mais excelentes que sejam porque só poderão progredir se os colegas de mais idade tiverem todos morte súbita. Será com este sistema de quotas na progressão, verdadeiramente assassino, que este governo pretende aliciar o mérito e o bom desempenho e a qualidade da educação? Claro que para o governo o que importa são apenas os resultados, os meninos têm todos que passar para melhorar as estatísticas do abandono escolar e da baixa escolaridade de Portugal. Estou certo que muitos professores afastar-se-ão do ensino público e, dentro em breve, a escola será também ela externalizada, como é agora moda dizer-se. Aliás, esse é o verdadeiro propósito deste “Estatuto-dos-Professores” distribuir mais umas negociatas pelos amigos e famílias. Até quando vamos permitir este abuso?
  • Todas as fotografias expostas têm a permissão dos respectivos autores.
  • Exceptuam-se apenas as fotos da Secção Biografias.
  • O Blografias agradece a todos os autores que participam neste espaço de divulgação de fotografia
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